[Carta Julho-Agosto] Seis meses na Bolívia

Seis meses na Bolívia

“Portando, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus” Atos 15.19: NVI

Temos usado a internet para comunicar e prestar contas. Isso é um bom sinal. Estamos no campo missionário! Já são seis meses aqui na Bolívia, para nós é um sonho se concretizando. E você que é nosso parceiro faz parte disto, especialmente você que esta conosco desde o tempo do Morrão na Vila Madalena e depois no Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Breve reflexão

Atos 13 e 14 relata a primeira viagem missionária de Paulo, e era também a primeiro envio missionário da igreja. Já tinham ocorrido experiências missionárias individuais em Atos 8 e 10, mas como envio da igreja, Paulo é pioneiro em Atos 13. Logo após esta primeira viagem missionária em Atos 13 e 14, temos o primeiro concílio da igreja em Atos 15. A primeira vez que a igreja se reuniu para discutir questões bíblicas e teológicas foi por causa de missões. Eu creio que a igreja e a teologia existem por causa de missões e para missões, e missões existe para glorificar a Deus e cumprir o mandamento primário de Cristo. Tudo deve girar em torno da missão, do ide, esta foi à instrução de Jesus. E eles entenderam isso, a passagem central esta em Atos 15.19: “Portando, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus” NVI. Esta é um importante recado aos missionários e apoiadores de missões de todo o mundo: facilitem o caminho para que as pessoas se arrependam do pecado e creiam em Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador, simplifique, e não complique a questão da salvação, o conhecimento de Cristo e a vida na igreja.

Em Atos 15 eles refletem na Palavra observando o passado (At 15.5, 13-18). No presente eles passam a ver os gentios de uma maneira diferente, não mais como inimigos impuros, mas como alvos da graça de Deus (At 15.7-12). E para o futuro tiveram estratégias de como continuar expandindo o reino de Deus por todo o mundo dando alguns padrões de comportamento cristão para as pessoas, mas deixando que vivessem sua cultura e costume (At 15.19-33).

O mais importante é que ao final deste primeiro concílio eles não pararam, mas continuaram com as viagens missionárias, anunciando e expandindo o reino de Deus, compromissados com as pessoas das quais tinham falado de Cristo pelo mundo (At 15.36). O concílio foi um ajuste para melhorar a missão. A teologia serviu a questão missionária. Teologia é boa quando nos move a ação e não fica parada nas discussões filosóficas e teóricas.

O que mais me chama atenção neste texto é que eles só mudaram a visão que tinham dos gentios quando saíram das quatro paredes rumo aos outros povos, aos não judeus. Enquanto estavam apenas no seu grupinho judeu, ainda que já existisse a ordem de ir, os gentios continuavam como um povo estranho, imundo, distante. Eles tiveram que se humilhar para cumprir o ide, tiveram que que se misturar com outros povos e sair da zona de conforto, tiveram que se afastar do centro de tudo, da grande cidade. E o mais importante é que mudaram seu pensamento. De certa forma tiveram que “nascer de novo em outra cultura”, pois não bastava ir, mas tinham que estar dispostos a aprender a conviver e respeitar os gentios, tinha que “baixar a guarda” para chegar perto, sentir o cheiro do povo, estar com eles.

Atos 15 é uma mudança de fase na igreja, pois agora iriam pregar com outra ideia na cabeça, é um marco importante para o cristianismo porque o separa de vez do judaísmo. E isso só ocorreu quando a ordem foi cumprida, quando saíram.

Oração no envio de nossa igreja, IEP Sede em SP, em 1 de Janeiro de 2012

Seis meses em Puerto Suarez Bolívia

Nossos primeiros seis meses aqui na Bolívia também encerra uma fase e inicia outra, temos colaborado bastante e Deus tem feito muitas coisas. Se você nos acompanha pelo Facebook vê as fotos e os relatos. Mas existe algo que tem ocorrido com nós que não publicamos na internet e não se percebe em fotos, é uma mudança interna, em nossos corações e em nossa forma de pensar, um amadurecimento. É a consequência de nos misturarmos com o povo aqui, de conhecer, conviver, estar junto, sentir o cheiro de boliviano e o melhor, passar a ter o cheiro de boliviano. Assim, tendo cada vez mais a mente de um boliviano, temos refletido sobre o passado, buscado visão para o presente e estratégias para o futuro aqui em Puerto Suarez. Quero compartilhar alguns destes nossos pensamentos, que também são motivos de oração, e cada um inclui um pouco de reflexão, visão e estratégia:

1) A diferença de trabalho por local, país ou região, é pouca, mas fundamental. Gente é gente em qualquer lugar. A pessoa que não é convertida ao cristianismo é uma alma carente de Deus igual em todo o mundo. São algumas coisas da cultura e do costume que mudam as pessoas, o comportamento está ligado à forma de pensar, suas crenças, sua maneira de ver o mundo. Mas são exatamente estas pequenas mudanças que temos que descobrir para sermos bem sucedidos no evangelismo e discipulado. Fazer missões é fazer amigos, ninguém vai ouvir e dar crédito a mensagem de um estranho, ainda mais um estrangeiro. Esse é nosso maior desafio hoje, ser menos brasileiro e mais boliviano.

2) Nosso tempo aqui não esta ligado a anos, mas sim a projetos. Eu e a Lari temos pensado em três ou cinco anos aqui, só Deus sabe. Não damos muita atenção ao tempo, temos pensado em projetos. E são três projetos, nesta ordem:
• Uma base missionária ativa com algumas frentes de evangelismo como a escola de futebol, um centro para a juventude, pastoral carcerária e projetos sociais;
• Uma igreja, um grupo de pessoas convertidas e batizadas que adoram ao Senhor e formam um corpo eclesiástico, e tem tudo que uma igreja deve ter como louvor, evangelismo (base missionária), aconselhamento, cultos, EBD, grupo de jovens e crianças, atividades nos lares, estudo para casais e etc, esta igreja deve nascer como uma consequência natural das atividades da base missionária;
• Um orfanato, este projeto é a menina dos meus olhos, sonho a cada dia com o orfanato, e às vezes sonho literalmente com isso, uma casa para as crianças que vivem com os pais no presídio e tantas outras crianças que tem suas vidas e infância abandonadas e maltratadas. Aqui na região não existe, em um raio de 300 km, nenhum orfanato ou algo assim.

3) A obra de Deus necessita de pessoas e de dinheiro, nesta ordem. Eu errei ao desprezar totalmente a questão financeira para a obra de Deus, hoje tenho aprendido a dar o devido valor ao dinheiro, pois precisamos dele. É verdade que a obra precisa de gente e o dinheiro vem, mas eu conheço pessoas que estão preparados para vir nos ajudar aqui, mas ainda não conseguiram todo sustento para se manter. Isso tem me levado a escrever projetos para captar recursos que envolvam despesas com pessoas. Claro que todo tipo de ajuda é bem vinda, os que ficam um mês, uma semana, um ano. Mas precisamos de gente preparada para missões, com um mínimo de conhecimento teológico e missionário, com disposição para longo prazo, acima de três anos. Antes eu orava só por obreiros, hoje eu oro por obreiros e recursos financeiros, e além de orar tenho me esforçado para desenvolver bons projetos que atraiam investimento.

4) A ansiedade é pecado e a paciência uma virtude. A ansiedade é pecado ainda que seja para desejar que as vidas se convertam. Eu cheguei aqui muito ansioso e levei um puxão de orelha de Deus pela Palavra. Eu queria ver as vidas convertidas, igreja cheia, tudo acontecendo rápido com as “minhas ideias brilhantes”. Tenho aprendido que não devo ser ansioso, mas empenhado em espalhar a Palavra e deixar que Jesus edifique Sua igreja. É interessante que Jesus diz “edificarei a minha igreja”, ele não diz “nós edificaremos” Mt 16.18. Eu não sei se esta ansiedade é um mal que eu trouxe de conceitos empresariais de metas e resultados. Mas sei que estava me fazendo mal. Eu quero os resultados, mas vou ser paciente para que Deus dê o crescimento. O que Deus começou, Ele vai edificar, da nossa parte não podemos parar o trabalho.

5) Discussão que não gera ação, na maioria das vezes, é vã e vazia. Por isso abaixo um relato dos principais acontecimentos até agora e uma ideia do que queremos para o futuro. Hoje é bem mais fácil eu visualizar o futuro em cima do que já fizemos, as coisas estão andando, acontecendo, mas ainda precisamos de muito trabalho, oração, pessoas e dinheiro para nosso sustento e para os projetos. Abaixo tem um resumo das atividades que temos feito.

Acampamento bíblico de férias, 58 crianças bolivianas e 21 brasileiros que vieram ao impacto de férias

Projetos na Bolívia

Escola de futebol. Com isso reduzimos o tempo ocioso e acessamos mais fácil as famílias. Sábado damos almoço para os garotos. Para o futuro pretendemos ter reforço escolar, acompanhamento nutricional com a multimistura, acompanhamento médico, oficina profissionalizante. Em Julho fizemos o primeiro Acampamento bíblico de férias e foi um sucesso, esperávamos 30 crianças e vieram 58, o trabalho ganhou visibilidade e credibilidade.

Pastoral carcerária 1. Atenção às crianças que ficam presas com os pais. Hoje temos dois grupos, os menores vão à creche de Segunda a Sexta e nós somos responsáveis por transporte, uniforme e material escolar. Os maiores vêm para a base de Quarta a Domingo, três dias tem futebol, um dia um estudo bíblico em pequenos grupos e no Domingo o culto. Para o futuro queremos melhorar a estrutura da Base para oferecer mais atividades e atendimento psicológico as crianças e aos pais no presídio. Queremos muito também levantar o orfanato, mas isso vai precisar de equipe, dinheiro, planejamento e estrutura a parte.

Pastoral carcerária 2. Culto para homens e mulheres todas as Terças, em média participam 20 presos e já batizamos 3 detentos. Agora começamos um discipulado bíblico. Para o futuro queremos levantar liderança cristã local entre os presos e criar alguma atividade profissionalizante e apoio para o momento que saírem do presídio.

Índios Ayoreos. Comecei, de maneira informal, a visitar uma tribo Ayoreo que fica a 10 km daqui, ainda esta bem no início para saber o que vai rolar, eles são muito fechados. Comecei com um culto para toda a tribo e quero ajuda-los com uma horta a pedido deles. Assim podem plantar para comer e vender. Alguns falam espanhol, mas a maioria só o ayore, seu idioma nativo.

A igreja. Estamos plantando uma igreja do zero, um trabalho que gira em torno do mandamento de Jesus e não do culto de Domingo. É um desafio, mas estamos animados. Aos poucos temos pessoas mais compromissadas com Jesus. A ideia é deixar que, a partir das frentes missionárias que estamos atuando, a igreja aconteça naturalmente.

Almoço com jacaré e pacu, comidas típicas do pantanal boliviano 

Pedido especial de oração

Toda a carta acima é um pedido de oração, tanto os projetos como nosso aprendizado e percepção. Mas quero pedir algo especial, pela nossa família. Ore por mim e pela Lari, pelos nossos papéis como ministros, pais, marido e mulher, Que possamos cumprir bem cada um deles e saber tirar tempo de lazer em família sem entrar no ativismo. Ore pela nossa saúde e por nossa segurança. Orem pela Beca e pela Rafa, primeiro orem pela saúde delas, que continuem bem de saúde. Ore pelo relacionamento entre elas, que cresçam em amizade, ore pela maneira como elas têm visto e percebido esta vida missionária na Bolívia. Ore por amiguinhas para a Beca e a Rafa, sentimos falta disto aqui no bairro. Ore pela escola da Beca, ela já esta se alfabetizando, mas as escolas aqui na Bolívia ainda são um pouco mais fracas.

Muito obrigado por tudo, não se esqueça de nós em suas orações.

Contineu acompanhando notícias e novidades atualizadas aqui no blog http://blog.ricardo.org.br

Assista aos vídeos do ministério e dia-a-dia aqui na Bolívia: http://youtube.com/riccoevgt

Abração e até mais…

Ricco, Lari, Beca e Rafa

Vídeo reportagem sobre as crianças em presídios bolivianos

Os dois vídeos abaixo mostram um pouco a realidade que estamos trabalhando aqui na Bolívia. São reportagens, pequenos documentários, sobre a situação das crianças que ficam presas com sua mãe e/ou pai aqui na Bolívia.

Aqui em Puerto Suarez estamos empenhados em mudar esta situação, contamos com sua oração. Participe do Proyecto Esperanza Bolívia curtindo esta página no Facebook e fique por dentro das notícias para orar e louvar a Deus conosco.

La niñez en una celda boliviana


Caso não veja o vídeo acima clique aqui

Niños de la carcel


Caso não veja o vídeo acima clique aqui

Até mais

Ricco

Foi assim que tudo começou

Hoje estamos aqui na Bolívia, no campo missionário transcultural, tempo integral no ministério e com preparo formal pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Mas para obedecer a Deus não precisa nada disto, basta tomar uma atitude e começar hoje, onde está. O vídeo abaixo mostra nosso primeiro trabalho de evangelismo e discipulado. Era no bairro onde morávamos em São Paulo, não era o campo missionário transcultural. Eu ainda trabalhava secularmente e não estava tempo integral no ministério. Eu não tinha preparo formal e nem pensava que um dia ai a um seminário bíblico.

Foi assim que tudo começou, abrindo espaço em nossa agenda e obedecendo ao “ide” onde estávamos e com as ferramentas que tínhamos na mão. Espero que sirva de exemplo para você saber que pode obedecer ao “ide” agora mesmo onde você está!


caso não veja o vídeo acima clique aqui

até mais

Ricco

A criança que não queria voltar pra casa, ela mora no presídio!

Desde que chegamos á Bolívia em Janeiro temos trabalhado com as crianças que  moram no presídio. Nunca imaginamos esta situação e oportunidade de trabalho*, Deus conduziu tudo e estamos quebrando a cabeça para fazer o melhor.

Aqui em Puerto Suarez na Bolívia, ficam todos juntos no presídio: homens, mulheres e crianças. Tem de bebê a crianças de 12 anos, e ficam junto com os pais que estão, na maioria dos casos, presos por narcotráfico. Hoje temos um trabalho com dois grupos de crianças que ali estão. Os menores nós levamos a creche e somos responsáveis por tudo, uniforme, transporte, material escolar, documentação, tirar e devolver do presídio. Os maiores são três irmãos, de 9 a 12 anos. Eles vão à escola pela manhã e voltam para casa, no presídio, para almoçar. À tarde, de Quarta a Sexta, nós pegamos eles e trazemos para a base missionária onde tem estudo bíblico, aconselhamento e a escola de futebol, e de Sábado de manhã também tiramos eles do presídio para jogar bola.

Ainda estamos tentando entender toda a situação das crianças nas cadeias da Bolívia, ouvi que em Santa Cruz existem 1200 crianças presas com suas mães! Aqui em Puerto Suarez estamos fazendo a diferença na vida destas crianças reduzindo o tempo e o impacto de viver no presídio, pois ali é a sua casa.

Esta semana ocorreram duas situações bem parecidas, e quero dividir um pouco desta experiência. Há alguns dias atrás quando voltamos da creche, a Maria*, uma das pequenas, sentou na frente do portão de entrada do pátio e ficou olhando para dentro, onde estão as celas. A sua mãe, que esta presa, estava do outro lado da grade e o portão estava aberto. O guarda olhou para a Maria e acenou com a cabeça como quem quer dizer “vamos, entre”. A mãe da Maria pegou sua mão através da grade e disse “venha filha”. E a Maria continuou ali parada, olhando em direção as celas, mas ao mesmo tempo olhando para o nada, sem dizer uma palavra. Neste momento eu perguntei a ela: você não quer entrar? E sua resposta não veio em palavras, ela apenas balançou a cabeça pra direita e esquerda sinalizando que não queria voltar para casa. Sua mãe passou a mão pelo portão aberto, pegou em seu braço e a puxou para dentro.

Hoje, voltando com os garotos do futebol, eu disse para o Paulo* que amanhã os pegaria as duas da tarde para o estudo bíblico na base missionária. Ele me perguntou quando eu os levaria de volta ao cárcere, e eu disse que mais ou menos umas cinco horas da tarde. Ele me olhou, abriu um sorriso e perguntou todo animado: não pode ser as seis ou as sete? Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu me contive e disse que teria que ser as cinco mesmo.

Estas crianças não devem estar na cadeia, ainda que a lei boliviana permita que crianças de até seis anos fiquem com as mães presas, não existem condições adequadas para uma infância saudável dentro dos presídios bolivianos. Nós temos muito trabalho pela frente e eu quero te desafiar a abraçar esta causa junto conosco. Hoje, o que temos na mão é uma base missionária e um projeto que retira por tempo parcial estas crianças do presídio, queremos avançar e construir o orfanato. Vamos mobilizar a sociedade boliviana, o governo, as famílias dos presos e fazer tudo que for possível para mudar esta situação na Bolívia. Sonhamos alto, planejamos o que queremos, mas vamos fazendo o que podemos agora e não desprezamos este pequeno começo!

Junte-se a nós no Proyecto Esperanza
No dia 12 de Outubro é o Dia da Criança no Brasil, as crianças serão lembradas em todo lugar pelo país. Eu quero te desafiar a lembrar das crianças presas aqui na Bolívia. Vou preparar material para uma apresentação do projeto para você usar em uma reunião de oração e mobilização. Estamos chamando de Proyecto Esperanza (Projeto Esperança em espanhol), você deve separar um dia do mês de Outubro, por uma hora ou menos, e organizar um encontro para falar sobre estas crianças, pode ser um chá em sua casa, uma pizzada no restaurante da esquina, um tempo no culto de sua igreja, ou outro momento.

A ideia é que você mostre algumas fotos (que não podem ser divulgadas na internet), compartilhe as histórias, os pedidos de oração, e desafie cada pessoa a continuar orando e mobilizando mais pessoas pelo Proyecto Esperanza. Eu não sabia desta situação das crianças no presídio até chegar aqui na Bolívia, espalharmos a informação é o primeiro passo, temos que contar pra todo mundo sobre estas crianças que não querem voltar para casa, pois moram no presídio. Depois de mostrar a causa temos que chamar as pessoas para fazer algo, neste momento quero oração e ideias.

Em breve vou postar mais detalhes do que vamos chamar de Dia da Esperança. Se você se interessa em fazer parte disto clique aqui e deixe seu nome e e-mail e entramos em contato.

Graças aos meus amigos espalhados pelo mundo, vamos preparar material em inglês, espanhol, francês e alemão. Se você está em algum outro país, que não o Brasil, e quer traduzir o material para outro idioma não citado acima, clique aqui e mande seu nome e e-mail. Quero ver o Dia da Esperança acontecendo em vários cantos do Brasil e do Mundo!

Participe:

Faça seu cadastro neste link

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Confirme sua presença aqui no evento no Facebook!

Valeu e até

Ricco

*Notas:
[1] Clique aqui e veja como começou nosso envolvimento com este projeto de crianças no presídio.
[2] Maria e Paulo são nomes fictícios de crianças reais e histórias verdadeiras.

[Carta Maio] Poder, Palavra e Prática em Atos 2

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Escola de Futebol: lanche após o jogo

Carta de Maio de 2012:  Poder, Palavra e Prática em Atos 2

“…louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Atos 2.47

O final do capítulo 2 de Atos é o sonho de consumo de todo missionário: cair na simpatia do povo e novas almas ganhas todo dia. Penso que este capítulo dá o tom do livro de Atos. Poder, Palavra e prática, nesta ordem. Lucas registra em Atos 2 a percepção dos não crentes da época, dos que não participavam ali do início da igreja, mas observavam tudo de fora. O texto diz algo a respeito deles e como percebiam tudo que rolava ali. Os versículos 12 a 13, 37 e 47 são uma divisão natural do texto, pois finaliza cada momento mostrando a visão e percepção dos que não estavam participando (ainda) da igreja ali iniciada.

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” Atos 2.12-13

O poder veio com o Espírito Santo v.4, e trouxe ao povo espanto e admiração, mas ao mesmo tempo ficaram confusos e não deram crédito aos cristãos achando que estavam bêbados. Em seguida veio a Palavra, com um belo sermão de Pedro, e a percepção do povo mudou, agora eles davam credibilidade aos apóstolos, uma esperança surgiu com a mensagem da cruz e de Cristo. Na verdade não só a percepção mudou, mas algo de fato aconteceu em seus corações após a Palavra, “compungiu-se-lhes o coração” v.37, agora eles queriam saber o que fazer. Se antes estavam confuso, agora eles buscavam uma direção.

“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” Atos 2.37

A prática acontece em seguida, a Palavra pregada foi vivida pelos irmãos, formou-se assim a igreja. Oração, desprendimento, compartilhar, unidade, curas e milagres, e tudo isso trouxe um bom testemunho. Agora o povo que observava de fora via algo que os agradava muito, “…contando com a simpatia de todo o povo…” v.47. E ai chegamos no relato de que pessoas se convertiam a Cristo todos os dias e eram acrescentadas a igreja. Mas ocorreu um processo antes disto: poder, Palavra e prática.

Este é um breve resumo de Atos 2, eu vou discorrer mais sobre isso agora em Maio aqui no blog com dois ou três artigos, quero esmiuçar com mais calma cada parte do capítulo, mas aqui já deu para entender a ideia principal.

Poder, Palavra e prática, esta deve ser uma marca na vida do crente, no dia-a-dia da igreja, e não quero que seja diferente no ministério aqui na Bolívia. Eu quero que as pessoas que observam nossa vida e ministério, ainda de fora e de longe, fiquem admiradas, que o poder de Deus cause espanto, que o trabalho traga impacto. Mas não paramos ai, temos que pregar a Palavra, o ensino bíblico que vai apontar para Cristo. Os portenhos (habitantes de Puerto Suarez) da Bolívia devem ir além do espanto e da admiração e o trabalho deve ir além do impacto. E isso só acontece com a pregação da Palavra. Eles devem ouvir a Palavra para que cheguemos ao seus corações e busquem uma direção no Senhor. E claro, de nada adianta um belo sermão se não vivemos isso. A Palavra dá direção, mas a prática traz o bom testemunho, é a confirmação do que foi falado e ensinado, dá vida à mensagem.

Puerto Suarez tem apenas 4,5% de cristãos protestantes, a cidade tem 25 mil habitantes e boa parte é católica, a maioria destes não praticantes. Muitos jovens, muita pobreza e um clima de pouca esperança ou mudança de perspectiva – o pensamento é do tipo: tá ruim, mas tá bom, mudar e melhorar pra quê? Aqui existe um grande problema com a questão familiar, o adultério é quase parte da cultura, as casas têm mães bem jovens, com vários filhos de pais diferentes. Isso resulta em muitas crianças sem uma estrutura familiar adequada, e muitas estão abandonadas pela família ou são exploradas no mercado de trabalho informal. Ai entra a necessidade de um orfanato. Aqui na cidade e na região não existe nenhum orfanato ainda, o mais próximo esta a 300 km e é um orfanato só para meninas em um convento católico que visitamos esta semana. Além das frentes evangelísticas que estamos tocando no presídio, na creche e com a escola de futebol, queremos iniciar um orfanato. Deus preparou uma família de missionários americanos para nos ajudar aqui, eles moram em Corumbá. O Ben Lyon tem me ajudado no presídio e está animado com os planos para o orfanato.

O trabalho no presídio esta indo bem. Cada vez mais avançamos no coração das pessoas ali dentro, tanto policiais quanto presos. O fato de ninguém ir até lá antes, dar atenção aos presidiários com a Palavra e alguma ajuda no alimento, os impacta e assim temos ganhado espaço para pregar e estar com eles aconselhando e ouvindo confissões de pecado. Outra coisa que dá bom testemunho é o trabalho que fazemos tirando as crianças, filhas dos presos que ficam juntos com eles, para levar a creche durante o dia. Todos os presos que temos contato elogiam esta atitude. E esta é a primeira demanda para o orfanato!

A Escola de Futebol é sucesso total. O esporte é uma linguagem universal e o futebol a mais falada, os meninos estão vindo muito animados para os treinos. O nosso último treino chegamos a 52 garotos, nossa capacidade máxima, quando começamos a dois meses tinha apenas 20 meninos. O desafio agora é direcioná-los para Cristo pela Palavra. Temos feito um breve devocional no final de cada treino e vamos começar a ter um estudo de pequenos grupos no salão onde será nossa Base Missionária. Estes meninos vêm pensando só em futebol, nosso trabalho é mostrar a eles que temos algo a mais do que apenas jogar bola. E ainda buscar impacto na família, dentro de casa com os pais. Deus tem nos dado uma estratégia de dar um pequeno devocional impresso para eles fazerem com os pais em casa e ainda pedir que a cada semana cumpram uma tarefa na família, algo como varrer o quintal, arrumar o quarto, lavar louça, ou outra coisa que os pais possam ver e saber que foi uma tarefa do projeto.

Pois bem, precisamos de oração, muita oração. Nossa família esta bem, eu e a Lari muito felizes e unidos, as meninas crescendo com saúde, alegria, e muita bagunça graças a Deus! Mas não podemos ficar sem oração. Missões se faz com os pés dos que estão no campo e com os joelhos do que estão em todo lugar, especialmente com o seu joelho, você que nos apoia nesta jornada missionária. Queremos cair na graça do povo, queremos ver novas almas ganhas todos os dias. Agora estamos aqui e contamos com sua oração e apoio daí!

Ricco

Testemunho na Revista da Missão Portas Abertas de Abril de 2012

Revista Missão Portas Abertas Abril 2012

O envolvimento de nossa família e ministério com a Missão Portas Abertas é antigo e bem chegado. Tivemos a alegria, eu e a Lari, de contar um pouco sobre isto no testemunho que saiu na Revista da Missão Portas Abertas agora em Abril de 2012. Valeuzão para o Estevão, o Pastor Carlos Alfredo e toda galera PA!!!

A ação invisível da Portas Abertas

Conheci a Portas Abertas por volta de 1999. Ainda solteiro, através de um culto onde foi apresentada a história do Irmão André. Este foi meu primeiro contato com a questão missionária e, logo de cara, com os cristãos perseguidos. Assinei a revista e participei do primeiro acampamento underground.

Conheci Larissa. hoje minha esposa, em 2003, através da visita do Irmão André ao Brasil. Eu, de São Paulo, e a Lari, de Marília, fazíamos parte da equipe de voluntários. Fui a Marília e a encontrei: foi amor à primeira vista! Depois de seis meses de oração começamos a namorar, nos casamos e hoje temos, por enquanto, duas filhas maravilhosas. A Larissa já era voluntária da Portas Abertas desde 2002.

Saber que pessoas arriscavam a vida, e algumas até eram mortas por acreditar e servir a Jesus, sempre nos encorajou a fazer o melhor para Deus em nosso país livre. Orávamos, mobilizávamos as pessoas individualmente ou falando em igrejas e congressos, ofertávamos, mas decidimos que iríamos fazer mais. Queríamos ir ao campo missionário. Cada revista Portas Abertas lida, cada vídeo assistido (especialmente Atrás do Sol e Bambus no Inverno) nos levava a querer estar no campo transcultural.

Em 2005, estivemos no Congresso Missionário do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) para falar aos seminaristas sobre a Portas Abertas e os cristãos perseguidos. Saímos de lá certos de que voltaríamos para estudar e nos preparar para ir ao campo missionário. Em 2009, entramos como alunos no SBPV e agora estamos na Bolívia, fazendo o estágio do seminário para concluir nosso curso.

A Portas Abertas faz mais do que se propõe a fazer. Além de ser a voz dos cristãos perseguidos no Brasil, ainda. apoiou nosso trabalho em uma ONG* que ajuda líderes a implantar projetos de esporte e evangelismo. Esta ONG começou com o sentimento de que, além de ajudar os de longe, deveríamos fazer algo pelos de perto. Pensamos nos vizinhos, a partir do contato e das informações dos cristãos perseguidos na China, Coreia do Norte, Colômbia e tantos outros países.

Existe algo que a Portas Abertas faz e é quase invisível: constrói dentro de cada um uma ponte com a real e urgente necessidade do campo missionário, seja longe ou perto. Motiva e encoraja a ser um cristão de verdade. Dá a oportunidade de obedecer a Deus e à Palavra, nos movendo a ser e fazer, nos levando a nos alegrar e sofrer com todo o corpo de Cristo. Eu sempre achei que o grande ministério da Portas Abertas era garantir a unidade do corpo de Cristo; hoje não tenho dúvidas de que é isto mesmo.

A Portas Abertas faz parte de minha vida e sempre fará, pois foi com as pessoas de lá, tanto a equipe Brasil como os cristãos perseguidos, que aprendi a importância de “chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé” (Rm 1.5 NVI) .

Ricardo Silva – Ricco (com Lari, Rebeca e Rafaela)
Puerto Suarez – Bolívia – Fevereiro de 2012
Missionários da Igreja Evangélica de Pinheiros Sede em São Paulo www.iepsede.com.br
(*) Associação Expedição Mochila Servindo a Infância e a Juventude www.em.org.br

Mais sobre a Revista Portas Abertas aqui

E neste link a Revista de Abril na íntegra

Valeu e até

Ricco

[Carta Abril] A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

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Trabalho no presídio com família de presos. Presidiárias escoltadas até a porta do presídio para deixar suas filhas irem a creche.

Carta de Abril de 2012: A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

Em nossa primeira Páscoa na Bolívia meditei sobre missões e sua ligação com a Páscoa. O chamado de Deus para “todo o mundo e todos os povos” é antigo, com Abraão, Deus fala de benção a todas as famílias da terra (Gn 12.3), e até mesmo na criação Deus ordena ao homem que espalhe Seu domínio por todo o mundo (Gn 1.28). Penso que Páscoa e missões tenham uma ligação que merece destaque.

A Páscoa é uma festa judaica e a palavra vem do termo hebraico “pecach”, que significa “passar ou saltar por cima”. No dia em que a Páscoa foi instituída o anjo da morte passou pelo Egito matando os primogênitos, exceto os das casas que tinham a marca de sangue do cordeiro em seus batentes. Naquela noite todo Israel saiu do Egito e atravessou o Mar Vermelho. Páscoa é festa, é lembrança de libertação, mas também é lembrança de juízo, pois naquela noite no Egito morreram muitas pessoas.

Aqueles que foram liberados do anjo da morte pelo sangue na porta, também comeram o cordeiro. O sangue nos umbrais das casas, que livrou do anjo da morte, era do mesmo cordeiro que a família comeu para celebrar a Páscoa. E este ‘comer o cordeiro’ se transformou em nossa Ceia, no pão e no vinho. Bebemos o suco de uva, lembrando que seu sangue marca nossa vida e que estamos livres do anjo da morte. Comemos o pão simbolizando que somos um com Cristo e assim devemos ser santos. E ai a Páscoa não é só festa e lembrança de juízo, mas como ceia, também é uma chamada a santidade.

Na Páscoa, assim como na Ceia, devemos lembrar o Juízo e a Santidade. O sangue nos livra do anjo da morte e o pão nos faz UM com Ele. Aquela noite no Egito, os judeus deviam ter a consciência de que do mesmo cordeiro vinha o sangue para o umbral da porta e o alimento para dar força na caminhada que os tiraria do Egito, e não uma simples caminhada, mas uma marcha para a nova vida livre da escravidão. Para nós, a Páscoa e o Egito são uma lembrança como sombra (Hb 10.1). Nós temos o verdadeiro Cordeiro que agrada a Deus, que nos livra da escravidão e nos dá vida para vivermos uma nova etapa de santidade em nosso caminhar, é nascer de novo.

Algumas famílias celebram a alegria da salvação enquanto outras choram a morte do pecado. Foi assim no Egito naquela noite, algumas famílias alegres pela libertação da escravidão, enquanto outras em profunda tristeza pelas mortes (pensando ainda nas mortes dos soldados no Mar Vermelho, além da morte dos primogênitos no Egito). O trabalho missionário, seja os que enviam, os que vão ou os que sustentam, é exatamente este: converter a tristeza da morte do pecado na alegria da vida e salvação. O anjo da morte passa todos os dias pelo mundo, alguns ele leva, outros ele poupa. Os que têm a marca do cordeiro são os salvos, os santos em Cristo Jesus.

Aqui na Bolívia pensamos na Páscoa todo dia o tempo todo. Anunciamos salvação, juízo e santidade. Sua oração, sua oferta, seu apoio, seu e-mail, telefonema ou chamada no Skype, seu recado no Facebook, sua preocupação conosco, tudo isto nos dá suporte para o trabalho de anunciar a Palavra de Deus e dizer hoje aos portenhos (habitantes de Puerto Suarez), que ao se converterem a Cristo, deverão comer o pão, tomar o suco de uva e participar da verdadeira Páscoa. Buscando uma vida de santificação hoje e tendo certeza que, no dia sua morte terrena, o anjo da morte passará, mas não o levará. Páscoa e missões tem tudo a ver uma coisa com outra, é por causa do Cordeiro e da Páscoa que estamos aqui na Bolívia.

O Sr. Marcos* está preso por causa de seu envolvimento com o narcotráfico, esta na cadeia de Puerto Suarez onde realizo um culto semanal. Homem de uns cinquenta e poucos anos, aparência jovial, casado e com filhos e netos. De família evangélica, cresceu na igreja e até desejou atuar no ministério, mas se envolveu com o que não devia e agora paga por isso na cadeia. Ele se arrepende e tem voltado aos caminhos do Senhor. Ele participa de todo culto as Terças e uma vez, quando preguei em Romanos 8 dizendo que não há condenação aos que estão em Cristo Jesus, ele me perguntou: _O que significa estar em Cristo? Minha reposta foi em duas etapas. Na primeira, mais simples e direta, expliquei sobre a conversão e nova vida. A segunda etapa esta em andamento, é um discipulado mais de perto, um tempo de estudo e aconselhamento após o culto. Ele já me perguntou sobre seu batismo e está muito animado com sua nova vida, mesmo atrás das grades. Temos um longo caminho a percorrer com o Sr. Marcos e tantos outros portenhos aqui na Bolívia. Anunciar o perdão de Deus em Jesus Cristo, que é a verdadeira Páscoa, é só o primeiro passo!

Obrigado pelo seu apoio e ore por nós!

Ricco

(*) Marcos é o nome fictício de uma pessoa e história verdadeira!