Madeira para quê?

cuidado missionario

Neemias é conhecido pela obra de reconstrução em Jerusalém depois do exílio do povo judeu. Ele reformou os muros e as portas da cidade e deu início a reconstrução do templo. Para começar o projeto, ainda no exílio, ele orou e depois fez uma lista de recursos que iria precisar. Um de seus pedidos foi por madeira.

“…me forneça madeira para as portas da cidadela que fica junto ao templo, para os muros da cidade e para a residência que irei ocupar…” Neemias 2.8

Ele pediu madeira ao rei para três coisas: (1) as portas da cidade; (2) os muros da cidade; (3) a sua própria residência. Quem lê Neemias quase não percebe que ele tinha uma casa para voltar todos os dias após o trabalho. A dinâmica da história nos leva a imaginar um Neemias que só trabalha, não existe nada dizendo que ele ia para casa descansar. Lemos sobre um homem que está sempre pensando nos muros, nos inimigos, na equipe e nas estratégias para a obra não parar. Quase o livro inteiro fala de trabalho, de ministério, mas em 2.8 vemos um assunto pessoal. A sua casa era parte do projeto de reconstrução, e Neemias entendeu a importância disto.

Não encontrei outra referência a casa de Neemias, apenas na lista dos pedidos de madeira em 2.8. E ele deixa bem claro o propósito daquela casa: a residência que irei ocupar. Pense um pouco na importância do tempo que Neemias passava em sua casa. Ali devia orar, meditar na Palavra, dormir, se alimentar, renovar as forças, ter seus momentos pessoais longe do trabalho.

Os relatórios missionários de hoje quase sempre falam só de projetos e resultados. Um projeto define e justifica a vida e o tempo dos missionários no campo, isso é importante. Porém devemos pensar no missionário e não só nos projetos. O cuidado do missionário deve ser parte dos resultados. Deus sempre se importou com a casa daqueles que estão envolvidos em Seus projetos.

A casa é mais do que um local para morar. Ela significa o suprimento das necessidades pessoais do missionário. Este cuidado é fundamental. A atenção com a equipe deve ser tão celebrada quanto os resultados dos projetos. Cada vez mais falam de CIM – Cuidado Integral do Missionário – quando pensam em missões. Ao longo dos anos estão percebendo que bons projetos não deveriam ser “bons” se não incluir nos resultados o cuidado do missionário e sua família.

Eles não querem conforto ou luxo e nem uma carreira que traga riqueza e estabilidade, caso contrário não seriam missionários. Mas precisam de cuidado para que no final suas vidas e famílias não fiquem esfarrapadas. Mesmo apresentando bons resultados de seus projetos, nem sempre os missionários estão bem! É um desafio para todos que estão envolvidos na missão: madeira para a obra, madeira para a casa do obreiro.

Ore pelas equipes de missionários e ajude suas casas a continuarem supridas. Ore para Deus te mostrar missionários e como você pode se envolver e colaborar com eles, e não apenas com os projetos. Muitas vezes é difícil separar o projeto no campo da vida pessoal do missionário e sua família, mas creia, está separação existe!

Ricardo Silva – Ricco
Coordenador Expedição Mochila
Missionário na Bolívia

Onde você trabalha para o reino?

Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia. Rm 15.23-24

Por que Paulo disse que não tinha mais atividade nas regiões onde estava e pediu ajuda da igreja de Roma para ir até a Espanha? Cidades como Éfeso, Galácia, Colossos e até Roma ou Jerusalém, já estavam totalmente alcançadas, todos tinha se convertidos? Aqui a palavra atividade pode ser traduzida também por oportunidade, ou melhor, todas oportunidades de anunciar o Evangelho já tinham se encerrado por ali?

Não, claro que não. Pois nem todos naquelas regiões tinham se convertido e ainda tinha muito trabalho e muita gente pra ser ganha para Jesus. Mas Paulo diz “não tendo já campo de atividade nestas regiões” por pelo menos três motivos:

Ele entendia que cada parte do corpo tem sua função
Paulo sabia que cada membro da igreja tinha sua função, a dele era abrir novas frentes de trabalho e plantar igrejas, enquanto a função de outros era atuar nestas igrejas já plantadas. E não existia um sentimento de competição por qual trabalho ou qual necessidade atendida era mais importante ou melhor. Ele mesmo ensinou que um planta, outro rega, e Deus dá o crescimento (1 Co 3.6). E assim ele acreditava na igreja local para alcançar as cidades.

Ele acreditava no potencial da igreja local para alcançar os locais
Paulo acreditava na igreja e nas pessoas que tinha se convertido e iniciado uma comunidade cristã. Ele não tinha medo de delegar e nem tinha o sentimento de ser insubstituível. Paulo sabia que as igrejas já estabelecidas tinham muitos desafios ainda, é só ler suas cartas para ver como ele conhecia e trabalhava pelos problemas da igreja. Mas ele não parava nos problemas, apesar de estar a distância e tentar resolvê-los, ele sabia que a Palavra tinha que se expandir para outras regiões.

O Evangelho precisa avançar para regiões não alcançadas
Paulo entendia muito bem seu chamado: os gentios. E para cumprir o chamado ele tinha que viajar muito. O chamado de Paulo não era para uma região geográfica, uma cidade ou país, mas para um grupo de povo. Tudo bem que fora os judeus, todos eram gentios. Mas é interessante ver como Paulo não mediu esforços para levar o Evangelho aos que ainda não ouviram, e plantar uma igreja onde ainda não existia uma comunidade cristã.

Algumas aplicações

A igreja nunca pode perder a visão de avançar aos não alcançados, os de longe. Nem todos vão até lá, mas todos devem estar envolvidos de alguma maneira, orando, doando, divulgando, enviando e mantendo. Paulo esperava que a igreja de Roma o enviasse a Espanha.

A igreja deve ter projetos para alcançar os de perto, sejam do bairro, sejam grupos específicos como universitários, moradores de rua, empresários. Temos que entender que alcançar não pe apenas levar as pessoas a fazer uma confissão, mas discipular, ensinar, acompanhar, pastorear.

Pensando nos dois pontos acima, é besteira ficar comparando onde a obra de Deus tem mais importância. Os de perto ou de longe, a classe média ou os moradores de rua, os jovens ou as crianças, quem já está na igreja ou quem ainda não está, todos precisam ouvir a Palavra e tem a mesma importância. Alguns tem menos oportunidades (mas este é um assunto para outro post), mas todos tem a mesma importância.

Os líderes devem acreditar e dar oportunidades aos novos obreiros (não digo novos convertidos). Paulo plantava a igreja, ficava um tempo discipulando eles de perto e depois ia embora. Ela dava oportunidade para seus discípulos trabalhar e deixava eles acertarem, errarem, mas acreditava neles.

Que em nós exista este sentimento de corpo, de unidade, e nunca percamos a visão de nos envolvermos no evangelismo e discipulado, sejam os de perto ou os de longe!

Ricco

[Carta Setembro-Outubro] Tempo de consolidar o trabalho

tribo indígena ayoreo

Devocional: Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.

Em Mateus 6.13 a famosa oração do Pai Nosso termina com: “…porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” É muito interessante observar que apesar da oração, Jesus finaliza com a lembrança de que Deus é quem manda (reino), Deus é quem opera (poder) e toda glória é d’Ele para sempre, nos levando a pensar também na eternidade e que aqui na terra as coisas são passageiras. Esta declaração final de Jesus é uma associação 1 Cr 29.11, quando Davi declara a grandeza de Deus.

A oração em geral tem sido muito associada a pedir algo para Deus, a maioria dos crentes só lembra-se de orar quando precisa de cura, dinheiro, emprego, que algo aconteça ou que alguma coisa vá bem, como uma viagem ou cirurgia. A oração do Pai Nosso também é uma declaração do que Deus é e uma lembrança de seus preceitos. Inclusive uma lembrança que nos guarda do mal e nos da o sustento de cada dia. Na oração do Pai Nosso o único pedido material é o pão nosso de cada dia, deixando claro a importância da simplicidade na vida cristã e combatendo as ostentações desnecessárias.

Creio que o mais importante esta neste final onde Jesus lembra que pertencemos ao reino de Deus, e Deus é o Rei, ele manda e nós obedecemos. Claro que existe uma relação de amor e interesse de Deus por nós. Não é uma coisa de um rei cruel que manda seus súditos obedecerem e ponto final. Deus nos ama, nos recebeu como filhos, nos perdoa, nos levanta quando caímos, mas mesmo assim a obediência é nossa obrigação e não opção. Ou obedecemos ou não fazemos parte do reino de Deus. Além de ser Deus quem manda, é Ele quem opera tudo em todos, pois d’Ele é o poder. Devemos trabalhar, nos empenhar, nos dedicar, Deus condena a preguiçoso. Mas o poder é de Deus, nós não podemos fazer nada sem Ele, e isto não é só uma simples lembrança, mas tem implicações na nosso dia-a-dia, que basicamente deve ser uma vida voltada a Deus. E para terminar Jesus fala de glória e de eternidade, devemos saber que Deus é o Senhor, e o Todo Poderoso e que, ainda que nós vivemos e anunciemos isso na terra, toda honra e glória é d’Ele. Glória tem a ver com reconhecimento de Sua grandeza e poder, que Ele é o criador, que Ele manda e nós obedecemos.

A oração do Pai Nosso é uma maneira de nos aproximarmos de Deus para que Ele nos ajude a viver da maneira correta aqui na terra, pois existe uma eternidade incomparável com qualquer bom momento na terra. A oração é para nos lembrarmos de Deus e seus preceitos, e lembrar que a vida na terra é passageira, e deve ser totalmente dedicada a Ele. E que a eternidade, na glória de Deus, nos aguarda!

O nosso trabalho aqui na Bolívia é levar as pessoas a entenderem e aceitarem isto: Deus manda, Deus opera tudo por Seu poder, Ele merece a glória, nossa atenção, nossa inteira dedicação e, o mais importante, nossa vida aqui é passageira e existe uma eternidade que nos é ofertada por Deus. E esta eternidade começa hoje mesmo, ainda em vida na terra, mas com uma qualidade de vida celestial, santidade a Deus e amor ao próximo.

culto na fogueira

Notícias e dia-a-dia

Aqui na Bolívia estamos bem e seguindo firme no que nos propomos a fazer: levantar uma base missionária. Estamos na fase da rotina e consolidação. Ou melhor, nada mais é novidade, entramos no ritmo de uma agenda fixa e agora estamos trabalhando para consolidar as atividades e pessoas. É muito importante entender o nosso papel aqui de base missionária, com as frentes de evangelismo e início de discipulado. Estamos na fase do evangelismo abundante e visitas constantes, para que um corpo comece a se formar e tenhamos uma igreja se juntando aos Domingos em breve. Dentro do presídio temos uma igreja em andamento, com três irmãos já batizados e sendo discipulados, os cultos tem boa participação e nosso trabalho é bem visto pelos presos.

Nossa agenda esta assim:

  • De Segunda a Sexta pegamos as meninas no presídio as 8h da manhã e levamos a creche, as 16h pegamos na creche e devolvemos no presídio;
  • De Terça a Sexta dedico as manhãs para fazer visitas as famílias, em média uma por dia, e fazer meus devocionais e estudos para preparar as mensagens e aconselhamento;
  • Terça a tarde tem culto no presídio com os presos, após o culto temos um momento de oração e aconselhamento individualmente; estou preparando material para um devocional com os presos que se batizaram; existem mais dois presos para batizar, o batismo será feito em Janeiro; os policiais pediram um estudo bíblico, será as segundas de manhã, estamos aguardando a autorização do comandante;
  • Quarta a Sábado a tarde temos o trabalho com as crianças e famílias do bairro;
  • Quarta e Sexta: escola de futebol e devocional bíblico no ginásio
  • Quinta: estudo de pequenos grupos na base missionária
  • Sábado: dia de lazer e culto evangelístico para crianças, jovens e adultos
  • Domingo pela manhã culto na base, chamamos de devocional bíblico, já que não temos louvor e nem retirada de ofertas;
  • Domingo a noite começamos a apoiar uma congregação batista que esta começando, participamos do culto e as vezes sou convidado a pregar; estamos fazendo planos para ajuda-los com os jovens e adolescentes

Pedidos de oração

Pedimos que orem por nossa família, saúde e segurança. No trabalho orar por equipe, temos aqui um grupo nos ajudando, são de igrejas variadas, alguns missionários aqui na Bolívia, outros de Corumbá. Mas são voluntários e não podemos contar com certeza.

Assista vídeos do ministério e dia-a-dia aqui na Bolívia: http://youtube.com/riccoevgt

Até mais

Ricco

[Carta Julho-Agosto] Seis meses na Bolívia

Seis meses na Bolívia

“Portando, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus” Atos 15.19: NVI

Temos usado a internet para comunicar e prestar contas. Isso é um bom sinal. Estamos no campo missionário! Já são seis meses aqui na Bolívia, para nós é um sonho se concretizando. E você que é nosso parceiro faz parte disto, especialmente você que esta conosco desde o tempo do Morrão na Vila Madalena e depois no Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Breve reflexão

Atos 13 e 14 relata a primeira viagem missionária de Paulo, e era também a primeiro envio missionário da igreja. Já tinham ocorrido experiências missionárias individuais em Atos 8 e 10, mas como envio da igreja, Paulo é pioneiro em Atos 13. Logo após esta primeira viagem missionária em Atos 13 e 14, temos o primeiro concílio da igreja em Atos 15. A primeira vez que a igreja se reuniu para discutir questões bíblicas e teológicas foi por causa de missões. Eu creio que a igreja e a teologia existem por causa de missões e para missões, e missões existe para glorificar a Deus e cumprir o mandamento primário de Cristo. Tudo deve girar em torno da missão, do ide, esta foi à instrução de Jesus. E eles entenderam isso, a passagem central esta em Atos 15.19: “Portando, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus” NVI. Esta é um importante recado aos missionários e apoiadores de missões de todo o mundo: facilitem o caminho para que as pessoas se arrependam do pecado e creiam em Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador, simplifique, e não complique a questão da salvação, o conhecimento de Cristo e a vida na igreja.

Em Atos 15 eles refletem na Palavra observando o passado (At 15.5, 13-18). No presente eles passam a ver os gentios de uma maneira diferente, não mais como inimigos impuros, mas como alvos da graça de Deus (At 15.7-12). E para o futuro tiveram estratégias de como continuar expandindo o reino de Deus por todo o mundo dando alguns padrões de comportamento cristão para as pessoas, mas deixando que vivessem sua cultura e costume (At 15.19-33).

O mais importante é que ao final deste primeiro concílio eles não pararam, mas continuaram com as viagens missionárias, anunciando e expandindo o reino de Deus, compromissados com as pessoas das quais tinham falado de Cristo pelo mundo (At 15.36). O concílio foi um ajuste para melhorar a missão. A teologia serviu a questão missionária. Teologia é boa quando nos move a ação e não fica parada nas discussões filosóficas e teóricas.

O que mais me chama atenção neste texto é que eles só mudaram a visão que tinham dos gentios quando saíram das quatro paredes rumo aos outros povos, aos não judeus. Enquanto estavam apenas no seu grupinho judeu, ainda que já existisse a ordem de ir, os gentios continuavam como um povo estranho, imundo, distante. Eles tiveram que se humilhar para cumprir o ide, tiveram que que se misturar com outros povos e sair da zona de conforto, tiveram que se afastar do centro de tudo, da grande cidade. E o mais importante é que mudaram seu pensamento. De certa forma tiveram que “nascer de novo em outra cultura”, pois não bastava ir, mas tinham que estar dispostos a aprender a conviver e respeitar os gentios, tinha que “baixar a guarda” para chegar perto, sentir o cheiro do povo, estar com eles.

Atos 15 é uma mudança de fase na igreja, pois agora iriam pregar com outra ideia na cabeça, é um marco importante para o cristianismo porque o separa de vez do judaísmo. E isso só ocorreu quando a ordem foi cumprida, quando saíram.

Oração no envio de nossa igreja, IEP Sede em SP, em 1 de Janeiro de 2012

Seis meses em Puerto Suarez Bolívia

Nossos primeiros seis meses aqui na Bolívia também encerra uma fase e inicia outra, temos colaborado bastante e Deus tem feito muitas coisas. Se você nos acompanha pelo Facebook vê as fotos e os relatos. Mas existe algo que tem ocorrido com nós que não publicamos na internet e não se percebe em fotos, é uma mudança interna, em nossos corações e em nossa forma de pensar, um amadurecimento. É a consequência de nos misturarmos com o povo aqui, de conhecer, conviver, estar junto, sentir o cheiro de boliviano e o melhor, passar a ter o cheiro de boliviano. Assim, tendo cada vez mais a mente de um boliviano, temos refletido sobre o passado, buscado visão para o presente e estratégias para o futuro aqui em Puerto Suarez. Quero compartilhar alguns destes nossos pensamentos, que também são motivos de oração, e cada um inclui um pouco de reflexão, visão e estratégia:

1) A diferença de trabalho por local, país ou região, é pouca, mas fundamental. Gente é gente em qualquer lugar. A pessoa que não é convertida ao cristianismo é uma alma carente de Deus igual em todo o mundo. São algumas coisas da cultura e do costume que mudam as pessoas, o comportamento está ligado à forma de pensar, suas crenças, sua maneira de ver o mundo. Mas são exatamente estas pequenas mudanças que temos que descobrir para sermos bem sucedidos no evangelismo e discipulado. Fazer missões é fazer amigos, ninguém vai ouvir e dar crédito a mensagem de um estranho, ainda mais um estrangeiro. Esse é nosso maior desafio hoje, ser menos brasileiro e mais boliviano.

2) Nosso tempo aqui não esta ligado a anos, mas sim a projetos. Eu e a Lari temos pensado em três ou cinco anos aqui, só Deus sabe. Não damos muita atenção ao tempo, temos pensado em projetos. E são três projetos, nesta ordem:
• Uma base missionária ativa com algumas frentes de evangelismo como a escola de futebol, um centro para a juventude, pastoral carcerária e projetos sociais;
• Uma igreja, um grupo de pessoas convertidas e batizadas que adoram ao Senhor e formam um corpo eclesiástico, e tem tudo que uma igreja deve ter como louvor, evangelismo (base missionária), aconselhamento, cultos, EBD, grupo de jovens e crianças, atividades nos lares, estudo para casais e etc, esta igreja deve nascer como uma consequência natural das atividades da base missionária;
• Um orfanato, este projeto é a menina dos meus olhos, sonho a cada dia com o orfanato, e às vezes sonho literalmente com isso, uma casa para as crianças que vivem com os pais no presídio e tantas outras crianças que tem suas vidas e infância abandonadas e maltratadas. Aqui na região não existe, em um raio de 300 km, nenhum orfanato ou algo assim.

3) A obra de Deus necessita de pessoas e de dinheiro, nesta ordem. Eu errei ao desprezar totalmente a questão financeira para a obra de Deus, hoje tenho aprendido a dar o devido valor ao dinheiro, pois precisamos dele. É verdade que a obra precisa de gente e o dinheiro vem, mas eu conheço pessoas que estão preparados para vir nos ajudar aqui, mas ainda não conseguiram todo sustento para se manter. Isso tem me levado a escrever projetos para captar recursos que envolvam despesas com pessoas. Claro que todo tipo de ajuda é bem vinda, os que ficam um mês, uma semana, um ano. Mas precisamos de gente preparada para missões, com um mínimo de conhecimento teológico e missionário, com disposição para longo prazo, acima de três anos. Antes eu orava só por obreiros, hoje eu oro por obreiros e recursos financeiros, e além de orar tenho me esforçado para desenvolver bons projetos que atraiam investimento.

4) A ansiedade é pecado e a paciência uma virtude. A ansiedade é pecado ainda que seja para desejar que as vidas se convertam. Eu cheguei aqui muito ansioso e levei um puxão de orelha de Deus pela Palavra. Eu queria ver as vidas convertidas, igreja cheia, tudo acontecendo rápido com as “minhas ideias brilhantes”. Tenho aprendido que não devo ser ansioso, mas empenhado em espalhar a Palavra e deixar que Jesus edifique Sua igreja. É interessante que Jesus diz “edificarei a minha igreja”, ele não diz “nós edificaremos” Mt 16.18. Eu não sei se esta ansiedade é um mal que eu trouxe de conceitos empresariais de metas e resultados. Mas sei que estava me fazendo mal. Eu quero os resultados, mas vou ser paciente para que Deus dê o crescimento. O que Deus começou, Ele vai edificar, da nossa parte não podemos parar o trabalho.

5) Discussão que não gera ação, na maioria das vezes, é vã e vazia. Por isso abaixo um relato dos principais acontecimentos até agora e uma ideia do que queremos para o futuro. Hoje é bem mais fácil eu visualizar o futuro em cima do que já fizemos, as coisas estão andando, acontecendo, mas ainda precisamos de muito trabalho, oração, pessoas e dinheiro para nosso sustento e para os projetos. Abaixo tem um resumo das atividades que temos feito.

Acampamento bíblico de férias, 58 crianças bolivianas e 21 brasileiros que vieram ao impacto de férias

Projetos na Bolívia

Escola de futebol. Com isso reduzimos o tempo ocioso e acessamos mais fácil as famílias. Sábado damos almoço para os garotos. Para o futuro pretendemos ter reforço escolar, acompanhamento nutricional com a multimistura, acompanhamento médico, oficina profissionalizante. Em Julho fizemos o primeiro Acampamento bíblico de férias e foi um sucesso, esperávamos 30 crianças e vieram 58, o trabalho ganhou visibilidade e credibilidade.

Pastoral carcerária 1. Atenção às crianças que ficam presas com os pais. Hoje temos dois grupos, os menores vão à creche de Segunda a Sexta e nós somos responsáveis por transporte, uniforme e material escolar. Os maiores vêm para a base de Quarta a Domingo, três dias tem futebol, um dia um estudo bíblico em pequenos grupos e no Domingo o culto. Para o futuro queremos melhorar a estrutura da Base para oferecer mais atividades e atendimento psicológico as crianças e aos pais no presídio. Queremos muito também levantar o orfanato, mas isso vai precisar de equipe, dinheiro, planejamento e estrutura a parte.

Pastoral carcerária 2. Culto para homens e mulheres todas as Terças, em média participam 20 presos e já batizamos 3 detentos. Agora começamos um discipulado bíblico. Para o futuro queremos levantar liderança cristã local entre os presos e criar alguma atividade profissionalizante e apoio para o momento que saírem do presídio.

Índios Ayoreos. Comecei, de maneira informal, a visitar uma tribo Ayoreo que fica a 10 km daqui, ainda esta bem no início para saber o que vai rolar, eles são muito fechados. Comecei com um culto para toda a tribo e quero ajuda-los com uma horta a pedido deles. Assim podem plantar para comer e vender. Alguns falam espanhol, mas a maioria só o ayore, seu idioma nativo.

A igreja. Estamos plantando uma igreja do zero, um trabalho que gira em torno do mandamento de Jesus e não do culto de Domingo. É um desafio, mas estamos animados. Aos poucos temos pessoas mais compromissadas com Jesus. A ideia é deixar que, a partir das frentes missionárias que estamos atuando, a igreja aconteça naturalmente.

Almoço com jacaré e pacu, comidas típicas do pantanal boliviano 

Pedido especial de oração

Toda a carta acima é um pedido de oração, tanto os projetos como nosso aprendizado e percepção. Mas quero pedir algo especial, pela nossa família. Ore por mim e pela Lari, pelos nossos papéis como ministros, pais, marido e mulher, Que possamos cumprir bem cada um deles e saber tirar tempo de lazer em família sem entrar no ativismo. Ore pela nossa saúde e por nossa segurança. Orem pela Beca e pela Rafa, primeiro orem pela saúde delas, que continuem bem de saúde. Ore pelo relacionamento entre elas, que cresçam em amizade, ore pela maneira como elas têm visto e percebido esta vida missionária na Bolívia. Ore por amiguinhas para a Beca e a Rafa, sentimos falta disto aqui no bairro. Ore pela escola da Beca, ela já esta se alfabetizando, mas as escolas aqui na Bolívia ainda são um pouco mais fracas.

Muito obrigado por tudo, não se esqueça de nós em suas orações.

Contineu acompanhando notícias e novidades atualizadas aqui no blog http://blog.ricardo.org.br

Assista aos vídeos do ministério e dia-a-dia aqui na Bolívia: http://youtube.com/riccoevgt

Abração e até mais…

Ricco, Lari, Beca e Rafa

[Carta Maio] Poder, Palavra e Prática em Atos 2

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Escola de Futebol: lanche após o jogo

Carta de Maio de 2012:  Poder, Palavra e Prática em Atos 2

“…louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Atos 2.47

O final do capítulo 2 de Atos é o sonho de consumo de todo missionário: cair na simpatia do povo e novas almas ganhas todo dia. Penso que este capítulo dá o tom do livro de Atos. Poder, Palavra e prática, nesta ordem. Lucas registra em Atos 2 a percepção dos não crentes da época, dos que não participavam ali do início da igreja, mas observavam tudo de fora. O texto diz algo a respeito deles e como percebiam tudo que rolava ali. Os versículos 12 a 13, 37 e 47 são uma divisão natural do texto, pois finaliza cada momento mostrando a visão e percepção dos que não estavam participando (ainda) da igreja ali iniciada.

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” Atos 2.12-13

O poder veio com o Espírito Santo v.4, e trouxe ao povo espanto e admiração, mas ao mesmo tempo ficaram confusos e não deram crédito aos cristãos achando que estavam bêbados. Em seguida veio a Palavra, com um belo sermão de Pedro, e a percepção do povo mudou, agora eles davam credibilidade aos apóstolos, uma esperança surgiu com a mensagem da cruz e de Cristo. Na verdade não só a percepção mudou, mas algo de fato aconteceu em seus corações após a Palavra, “compungiu-se-lhes o coração” v.37, agora eles queriam saber o que fazer. Se antes estavam confuso, agora eles buscavam uma direção.

“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” Atos 2.37

A prática acontece em seguida, a Palavra pregada foi vivida pelos irmãos, formou-se assim a igreja. Oração, desprendimento, compartilhar, unidade, curas e milagres, e tudo isso trouxe um bom testemunho. Agora o povo que observava de fora via algo que os agradava muito, “…contando com a simpatia de todo o povo…” v.47. E ai chegamos no relato de que pessoas se convertiam a Cristo todos os dias e eram acrescentadas a igreja. Mas ocorreu um processo antes disto: poder, Palavra e prática.

Este é um breve resumo de Atos 2, eu vou discorrer mais sobre isso agora em Maio aqui no blog com dois ou três artigos, quero esmiuçar com mais calma cada parte do capítulo, mas aqui já deu para entender a ideia principal.

Poder, Palavra e prática, esta deve ser uma marca na vida do crente, no dia-a-dia da igreja, e não quero que seja diferente no ministério aqui na Bolívia. Eu quero que as pessoas que observam nossa vida e ministério, ainda de fora e de longe, fiquem admiradas, que o poder de Deus cause espanto, que o trabalho traga impacto. Mas não paramos ai, temos que pregar a Palavra, o ensino bíblico que vai apontar para Cristo. Os portenhos (habitantes de Puerto Suarez) da Bolívia devem ir além do espanto e da admiração e o trabalho deve ir além do impacto. E isso só acontece com a pregação da Palavra. Eles devem ouvir a Palavra para que cheguemos ao seus corações e busquem uma direção no Senhor. E claro, de nada adianta um belo sermão se não vivemos isso. A Palavra dá direção, mas a prática traz o bom testemunho, é a confirmação do que foi falado e ensinado, dá vida à mensagem.

Puerto Suarez tem apenas 4,5% de cristãos protestantes, a cidade tem 25 mil habitantes e boa parte é católica, a maioria destes não praticantes. Muitos jovens, muita pobreza e um clima de pouca esperança ou mudança de perspectiva – o pensamento é do tipo: tá ruim, mas tá bom, mudar e melhorar pra quê? Aqui existe um grande problema com a questão familiar, o adultério é quase parte da cultura, as casas têm mães bem jovens, com vários filhos de pais diferentes. Isso resulta em muitas crianças sem uma estrutura familiar adequada, e muitas estão abandonadas pela família ou são exploradas no mercado de trabalho informal. Ai entra a necessidade de um orfanato. Aqui na cidade e na região não existe nenhum orfanato ainda, o mais próximo esta a 300 km e é um orfanato só para meninas em um convento católico que visitamos esta semana. Além das frentes evangelísticas que estamos tocando no presídio, na creche e com a escola de futebol, queremos iniciar um orfanato. Deus preparou uma família de missionários americanos para nos ajudar aqui, eles moram em Corumbá. O Ben Lyon tem me ajudado no presídio e está animado com os planos para o orfanato.

O trabalho no presídio esta indo bem. Cada vez mais avançamos no coração das pessoas ali dentro, tanto policiais quanto presos. O fato de ninguém ir até lá antes, dar atenção aos presidiários com a Palavra e alguma ajuda no alimento, os impacta e assim temos ganhado espaço para pregar e estar com eles aconselhando e ouvindo confissões de pecado. Outra coisa que dá bom testemunho é o trabalho que fazemos tirando as crianças, filhas dos presos que ficam juntos com eles, para levar a creche durante o dia. Todos os presos que temos contato elogiam esta atitude. E esta é a primeira demanda para o orfanato!

A Escola de Futebol é sucesso total. O esporte é uma linguagem universal e o futebol a mais falada, os meninos estão vindo muito animados para os treinos. O nosso último treino chegamos a 52 garotos, nossa capacidade máxima, quando começamos a dois meses tinha apenas 20 meninos. O desafio agora é direcioná-los para Cristo pela Palavra. Temos feito um breve devocional no final de cada treino e vamos começar a ter um estudo de pequenos grupos no salão onde será nossa Base Missionária. Estes meninos vêm pensando só em futebol, nosso trabalho é mostrar a eles que temos algo a mais do que apenas jogar bola. E ainda buscar impacto na família, dentro de casa com os pais. Deus tem nos dado uma estratégia de dar um pequeno devocional impresso para eles fazerem com os pais em casa e ainda pedir que a cada semana cumpram uma tarefa na família, algo como varrer o quintal, arrumar o quarto, lavar louça, ou outra coisa que os pais possam ver e saber que foi uma tarefa do projeto.

Pois bem, precisamos de oração, muita oração. Nossa família esta bem, eu e a Lari muito felizes e unidos, as meninas crescendo com saúde, alegria, e muita bagunça graças a Deus! Mas não podemos ficar sem oração. Missões se faz com os pés dos que estão no campo e com os joelhos do que estão em todo lugar, especialmente com o seu joelho, você que nos apoia nesta jornada missionária. Queremos cair na graça do povo, queremos ver novas almas ganhas todos os dias. Agora estamos aqui e contamos com sua oração e apoio daí!

Ricco

[Carta Abril] A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

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Trabalho no presídio com família de presos. Presidiárias escoltadas até a porta do presídio para deixar suas filhas irem a creche.

Carta de Abril de 2012: A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

Em nossa primeira Páscoa na Bolívia meditei sobre missões e sua ligação com a Páscoa. O chamado de Deus para “todo o mundo e todos os povos” é antigo, com Abraão, Deus fala de benção a todas as famílias da terra (Gn 12.3), e até mesmo na criação Deus ordena ao homem que espalhe Seu domínio por todo o mundo (Gn 1.28). Penso que Páscoa e missões tenham uma ligação que merece destaque.

A Páscoa é uma festa judaica e a palavra vem do termo hebraico “pecach”, que significa “passar ou saltar por cima”. No dia em que a Páscoa foi instituída o anjo da morte passou pelo Egito matando os primogênitos, exceto os das casas que tinham a marca de sangue do cordeiro em seus batentes. Naquela noite todo Israel saiu do Egito e atravessou o Mar Vermelho. Páscoa é festa, é lembrança de libertação, mas também é lembrança de juízo, pois naquela noite no Egito morreram muitas pessoas.

Aqueles que foram liberados do anjo da morte pelo sangue na porta, também comeram o cordeiro. O sangue nos umbrais das casas, que livrou do anjo da morte, era do mesmo cordeiro que a família comeu para celebrar a Páscoa. E este ‘comer o cordeiro’ se transformou em nossa Ceia, no pão e no vinho. Bebemos o suco de uva, lembrando que seu sangue marca nossa vida e que estamos livres do anjo da morte. Comemos o pão simbolizando que somos um com Cristo e assim devemos ser santos. E ai a Páscoa não é só festa e lembrança de juízo, mas como ceia, também é uma chamada a santidade.

Na Páscoa, assim como na Ceia, devemos lembrar o Juízo e a Santidade. O sangue nos livra do anjo da morte e o pão nos faz UM com Ele. Aquela noite no Egito, os judeus deviam ter a consciência de que do mesmo cordeiro vinha o sangue para o umbral da porta e o alimento para dar força na caminhada que os tiraria do Egito, e não uma simples caminhada, mas uma marcha para a nova vida livre da escravidão. Para nós, a Páscoa e o Egito são uma lembrança como sombra (Hb 10.1). Nós temos o verdadeiro Cordeiro que agrada a Deus, que nos livra da escravidão e nos dá vida para vivermos uma nova etapa de santidade em nosso caminhar, é nascer de novo.

Algumas famílias celebram a alegria da salvação enquanto outras choram a morte do pecado. Foi assim no Egito naquela noite, algumas famílias alegres pela libertação da escravidão, enquanto outras em profunda tristeza pelas mortes (pensando ainda nas mortes dos soldados no Mar Vermelho, além da morte dos primogênitos no Egito). O trabalho missionário, seja os que enviam, os que vão ou os que sustentam, é exatamente este: converter a tristeza da morte do pecado na alegria da vida e salvação. O anjo da morte passa todos os dias pelo mundo, alguns ele leva, outros ele poupa. Os que têm a marca do cordeiro são os salvos, os santos em Cristo Jesus.

Aqui na Bolívia pensamos na Páscoa todo dia o tempo todo. Anunciamos salvação, juízo e santidade. Sua oração, sua oferta, seu apoio, seu e-mail, telefonema ou chamada no Skype, seu recado no Facebook, sua preocupação conosco, tudo isto nos dá suporte para o trabalho de anunciar a Palavra de Deus e dizer hoje aos portenhos (habitantes de Puerto Suarez), que ao se converterem a Cristo, deverão comer o pão, tomar o suco de uva e participar da verdadeira Páscoa. Buscando uma vida de santificação hoje e tendo certeza que, no dia sua morte terrena, o anjo da morte passará, mas não o levará. Páscoa e missões tem tudo a ver uma coisa com outra, é por causa do Cordeiro e da Páscoa que estamos aqui na Bolívia.

O Sr. Marcos* está preso por causa de seu envolvimento com o narcotráfico, esta na cadeia de Puerto Suarez onde realizo um culto semanal. Homem de uns cinquenta e poucos anos, aparência jovial, casado e com filhos e netos. De família evangélica, cresceu na igreja e até desejou atuar no ministério, mas se envolveu com o que não devia e agora paga por isso na cadeia. Ele se arrepende e tem voltado aos caminhos do Senhor. Ele participa de todo culto as Terças e uma vez, quando preguei em Romanos 8 dizendo que não há condenação aos que estão em Cristo Jesus, ele me perguntou: _O que significa estar em Cristo? Minha reposta foi em duas etapas. Na primeira, mais simples e direta, expliquei sobre a conversão e nova vida. A segunda etapa esta em andamento, é um discipulado mais de perto, um tempo de estudo e aconselhamento após o culto. Ele já me perguntou sobre seu batismo e está muito animado com sua nova vida, mesmo atrás das grades. Temos um longo caminho a percorrer com o Sr. Marcos e tantos outros portenhos aqui na Bolívia. Anunciar o perdão de Deus em Jesus Cristo, que é a verdadeira Páscoa, é só o primeiro passo!

Obrigado pelo seu apoio e ore por nós!

Ricco

(*) Marcos é o nome fictício de uma pessoa e história verdadeira!