A base missionária da Expedição Mochila aqui na Bolívia

Hoje começamos os trabalhar na base missionária da Expedição Mochila aqui na Bolívia. O trabalho com o povo já rola desde Fevereiro, mas agora temos um QG! Com isso deixo meu escritório em casa e passo a operar da base, que fica no centro da cidade.

Ali temos um salão que será multiuso, escritório, reuniões, cultos, aconselhamentos e atividades sociais e de evangelismo. A principal função deste espaço é atender o povo em nosso trabalho de evangelismo e discipulado. Esse é um espaço para servir.

Uma estrutura física é importante, é uma referência. Mas as pessoas devem vir em primeiro lugar. De nada adianta ter uma base missionária, uma estrutura física, se não a usamos para as pessoas e com as pessoas, que devem frequentar o local para serem abençoadas, alcançadas, curadas, restauradas e ensinadas.

Ainda estou organizando o espaço, terminando de arrumar os detalhes, colocar mesas, cadeiras, ventiladores. Também estamos definindo a agenda de cultos, reuniões e atividades.

Orem por este espaço, para que seja benção à missão de Deus em Puerto Suarez, para que sirva em primeiro lugar ao Senhor e depois sirva as pessoas deste lugar. Eu tenho muitas ideias e projetos, mas que Deus dirija tudo, e nada que não seja de Sua vontade saia do papel.

Valeu e até, abaixo algumas fotos do salão ainda vazio e da fachada…

Ricco

Update 1/Nov/2012: Deixamos este espaço em Agosto de 2012 e mudamos para uma casa, onde hoje é o orfanato!

[Carta Abril] A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

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Trabalho no presídio com família de presos. Presidiárias escoltadas até a porta do presídio para deixar suas filhas irem a creche.

Carta de Abril de 2012: A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

Em nossa primeira Páscoa na Bolívia meditei sobre missões e sua ligação com a Páscoa. O chamado de Deus para “todo o mundo e todos os povos” é antigo, com Abraão, Deus fala de benção a todas as famílias da terra (Gn 12.3), e até mesmo na criação Deus ordena ao homem que espalhe Seu domínio por todo o mundo (Gn 1.28). Penso que Páscoa e missões tenham uma ligação que merece destaque.

A Páscoa é uma festa judaica e a palavra vem do termo hebraico “pecach”, que significa “passar ou saltar por cima”. No dia em que a Páscoa foi instituída o anjo da morte passou pelo Egito matando os primogênitos, exceto os das casas que tinham a marca de sangue do cordeiro em seus batentes. Naquela noite todo Israel saiu do Egito e atravessou o Mar Vermelho. Páscoa é festa, é lembrança de libertação, mas também é lembrança de juízo, pois naquela noite no Egito morreram muitas pessoas.

Aqueles que foram liberados do anjo da morte pelo sangue na porta, também comeram o cordeiro. O sangue nos umbrais das casas, que livrou do anjo da morte, era do mesmo cordeiro que a família comeu para celebrar a Páscoa. E este ‘comer o cordeiro’ se transformou em nossa Ceia, no pão e no vinho. Bebemos o suco de uva, lembrando que seu sangue marca nossa vida e que estamos livres do anjo da morte. Comemos o pão simbolizando que somos um com Cristo e assim devemos ser santos. E ai a Páscoa não é só festa e lembrança de juízo, mas como ceia, também é uma chamada a santidade.

Na Páscoa, assim como na Ceia, devemos lembrar o Juízo e a Santidade. O sangue nos livra do anjo da morte e o pão nos faz UM com Ele. Aquela noite no Egito, os judeus deviam ter a consciência de que do mesmo cordeiro vinha o sangue para o umbral da porta e o alimento para dar força na caminhada que os tiraria do Egito, e não uma simples caminhada, mas uma marcha para a nova vida livre da escravidão. Para nós, a Páscoa e o Egito são uma lembrança como sombra (Hb 10.1). Nós temos o verdadeiro Cordeiro que agrada a Deus, que nos livra da escravidão e nos dá vida para vivermos uma nova etapa de santidade em nosso caminhar, é nascer de novo.

Algumas famílias celebram a alegria da salvação enquanto outras choram a morte do pecado. Foi assim no Egito naquela noite, algumas famílias alegres pela libertação da escravidão, enquanto outras em profunda tristeza pelas mortes (pensando ainda nas mortes dos soldados no Mar Vermelho, além da morte dos primogênitos no Egito). O trabalho missionário, seja os que enviam, os que vão ou os que sustentam, é exatamente este: converter a tristeza da morte do pecado na alegria da vida e salvação. O anjo da morte passa todos os dias pelo mundo, alguns ele leva, outros ele poupa. Os que têm a marca do cordeiro são os salvos, os santos em Cristo Jesus.

Aqui na Bolívia pensamos na Páscoa todo dia o tempo todo. Anunciamos salvação, juízo e santidade. Sua oração, sua oferta, seu apoio, seu e-mail, telefonema ou chamada no Skype, seu recado no Facebook, sua preocupação conosco, tudo isto nos dá suporte para o trabalho de anunciar a Palavra de Deus e dizer hoje aos portenhos (habitantes de Puerto Suarez), que ao se converterem a Cristo, deverão comer o pão, tomar o suco de uva e participar da verdadeira Páscoa. Buscando uma vida de santificação hoje e tendo certeza que, no dia sua morte terrena, o anjo da morte passará, mas não o levará. Páscoa e missões tem tudo a ver uma coisa com outra, é por causa do Cordeiro e da Páscoa que estamos aqui na Bolívia.

O Sr. Marcos* está preso por causa de seu envolvimento com o narcotráfico, esta na cadeia de Puerto Suarez onde realizo um culto semanal. Homem de uns cinquenta e poucos anos, aparência jovial, casado e com filhos e netos. De família evangélica, cresceu na igreja e até desejou atuar no ministério, mas se envolveu com o que não devia e agora paga por isso na cadeia. Ele se arrepende e tem voltado aos caminhos do Senhor. Ele participa de todo culto as Terças e uma vez, quando preguei em Romanos 8 dizendo que não há condenação aos que estão em Cristo Jesus, ele me perguntou: _O que significa estar em Cristo? Minha reposta foi em duas etapas. Na primeira, mais simples e direta, expliquei sobre a conversão e nova vida. A segunda etapa esta em andamento, é um discipulado mais de perto, um tempo de estudo e aconselhamento após o culto. Ele já me perguntou sobre seu batismo e está muito animado com sua nova vida, mesmo atrás das grades. Temos um longo caminho a percorrer com o Sr. Marcos e tantos outros portenhos aqui na Bolívia. Anunciar o perdão de Deus em Jesus Cristo, que é a verdadeira Páscoa, é só o primeiro passo!

Obrigado pelo seu apoio e ore por nós!

Ricco

(*) Marcos é o nome fictício de uma pessoa e história verdadeira!


Blog: Uma nova maneira de comunicação para a velha tarefa missionária!

Este blog é um espaço comunicar um pouco de nosso dia-a-dia e ministério na Bolívia. É uma conversar especialmente com nossa igreja que está em SP, nossos intercessores, amigos, irmãos, mantenedores e famílias. Como estamos aqui na Bolívia, e longe de todos, o blog é uma maneira de tentar nos manter mais próximos, de manter a conversa viva e a amizade acesa.

Imagino os missionários de antigamente chegando à África, à China e até no Brasil e América Latina. Para se comunicar com seus amigos, sua igreja, seus intercessores, enfim, para enviar e receber notícias, escreviam cartas que, se chegasse, demoraria meses. Hoje temos a internet que agiliza o contato e diminui a distância, temos as fotos e os vídeos que passam bem mais que palavras em uma carta.

Queremos aproveitar a tecnologia, como missionário desta geração, para manter acesa a chama da conversa, do contato e da amizade com todos que nos apoiam aqui.

Ricco