Batismo no presídio da Bolívia

Uma imagem vale mais que mil palavras. O C. estava preso e foi alcançado pelo Evangelho com os cultos no presídio da Bolívia. Estava convicto de sua fé e se preparou para o batismo, mas uma semana antes (do batismo) ele ganhou a liberdade. Para minha surpresa, ele voltou ao presídio só para se batizar. Pediu uma permissão especial aos guardas para entrar na cadeia de novo, foi batizado, chorou muito, e me disse: “Pastor, foi aqui que eu conheci a Cristo, e é aqui que e queria ser batizado, pois foi na cadeia que me tornei um novo homem. E esta é a lembrança que quero levar dos anos na prisão: o lugar que conheci a Cristo e fui batizado, agora eu saio como um novo homem”.

Ai, até eu chorei…

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Veja mais fotos do batismo abaixo
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A decepção com o filme Noé

Condenam o filme Noé como herético, como se pudesse sair alguma coisa não herética de Hollywood. A decepção com o filme Noé também é uma decepção com a ideia de que o Evangelho deve ser comunicado pela arte como o cinema e a música. A mensagem do simples púlpito na igreja perde importância nesta geração. O cinema tem obrigação de ser fiel a Bíblia só por que escolheu Noé? Muito acreditam que sim. Reclamam do filme Noé como se reclama de um pregador que fala besteira.

Exigir que o cinema hollywoodiano nos alimente como a mensagem do púlpito. Isso é um problema, não o filme Noé.

P.S.: Não assisti Noé, a sala de cinema mais próxima fica 600 km de onde eu moro.

Onde você trabalha para o reino?

Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia. Rm 15.23-24

Por que Paulo disse que não tinha mais atividade nas regiões onde estava e pediu ajuda da igreja de Roma para ir até a Espanha? Cidades como Éfeso, Galácia, Colossos e até Roma ou Jerusalém, já estavam totalmente alcançadas, todos tinha se convertidos? Aqui a palavra atividade pode ser traduzida também por oportunidade, ou melhor, todas oportunidades de anunciar o Evangelho já tinham se encerrado por ali?

Não, claro que não. Pois nem todos naquelas regiões tinham se convertido e ainda tinha muito trabalho e muita gente pra ser ganha para Jesus. Mas Paulo diz “não tendo já campo de atividade nestas regiões” por pelo menos três motivos:

Ele entendia que cada parte do corpo tem sua função
Paulo sabia que cada membro da igreja tinha sua função, a dele era abrir novas frentes de trabalho e plantar igrejas, enquanto a função de outros era atuar nestas igrejas já plantadas. E não existia um sentimento de competição por qual trabalho ou qual necessidade atendida era mais importante ou melhor. Ele mesmo ensinou que um planta, outro rega, e Deus dá o crescimento (1 Co 3.6). E assim ele acreditava na igreja local para alcançar as cidades.

Ele acreditava no potencial da igreja local para alcançar os locais
Paulo acreditava na igreja e nas pessoas que tinha se convertido e iniciado uma comunidade cristã. Ele não tinha medo de delegar e nem tinha o sentimento de ser insubstituível. Paulo sabia que as igrejas já estabelecidas tinham muitos desafios ainda, é só ler suas cartas para ver como ele conhecia e trabalhava pelos problemas da igreja. Mas ele não parava nos problemas, apesar de estar a distância e tentar resolvê-los, ele sabia que a Palavra tinha que se expandir para outras regiões.

O Evangelho precisa avançar para regiões não alcançadas
Paulo entendia muito bem seu chamado: os gentios. E para cumprir o chamado ele tinha que viajar muito. O chamado de Paulo não era para uma região geográfica, uma cidade ou país, mas para um grupo de povo. Tudo bem que fora os judeus, todos eram gentios. Mas é interessante ver como Paulo não mediu esforços para levar o Evangelho aos que ainda não ouviram, e plantar uma igreja onde ainda não existia uma comunidade cristã.

Algumas aplicações

A igreja nunca pode perder a visão de avançar aos não alcançados, os de longe. Nem todos vão até lá, mas todos devem estar envolvidos de alguma maneira, orando, doando, divulgando, enviando e mantendo. Paulo esperava que a igreja de Roma o enviasse a Espanha.

A igreja deve ter projetos para alcançar os de perto, sejam do bairro, sejam grupos específicos como universitários, moradores de rua, empresários. Temos que entender que alcançar não pe apenas levar as pessoas a fazer uma confissão, mas discipular, ensinar, acompanhar, pastorear.

Pensando nos dois pontos acima, é besteira ficar comparando onde a obra de Deus tem mais importância. Os de perto ou de longe, a classe média ou os moradores de rua, os jovens ou as crianças, quem já está na igreja ou quem ainda não está, todos precisam ouvir a Palavra e tem a mesma importância. Alguns tem menos oportunidades (mas este é um assunto para outro post), mas todos tem a mesma importância.

Os líderes devem acreditar e dar oportunidades aos novos obreiros (não digo novos convertidos). Paulo plantava a igreja, ficava um tempo discipulando eles de perto e depois ia embora. Ela dava oportunidade para seus discípulos trabalhar e deixava eles acertarem, errarem, mas acreditava neles.

Que em nós exista este sentimento de corpo, de unidade, e nunca percamos a visão de nos envolvermos no evangelismo e discipulado, sejam os de perto ou os de longe!

Ricco

Acampamento da Igreja Vida em Goiânia – GO

Tivemos um tempo muito legal e abençoado no Acampamento de Jovens e Adolescentes com a Igreja Vida em Goiânia – GO. Além da oportunidade de ministrar a Palavra e falar do projeto na Bolívia com as crianças nos presídios, pudemos fazer novos amigos e conhecer gente muito legal.

Queremos agradecer especialmente ao Pr Mario e Adriana, Pr Kenedy, Marcelo e Marília, Pra Lilian. Todos eles foram muito benção me nossas vidas. Agora temos um compromisso de amizade de parceria pelo reino de Deus.

Aqui um informativo da igreja com informações e fotos do retiro.

Valeu

Ricco

O cuidado que não é cuidado

Eu amo ensinar a Bíblia para as crianças do orfanato. E elas ainda recebem comida, uma boa cama, educação, saúde. Mas tenho sido incomodado com um pensando, e esta ideia me aflige especialmente quando saio do orfanato a noite e volto para minha casa. Quais os cuidado que uma criança precisa? Eu nunca vou suprir o que elas realmente precisam, todo amor e afeto que dou a elas nunca será igual ao amor e afeto que uma criança recebe em um contexto familiar.

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Deus tem me desafiado a me envolver mais ainda com elas. E isto não tem a ver com dar um bom par de tênis ou fazer um churrasco de vez em quando no orfanato, tem a ver com amor, afeto, carinho, envolvimento. Eu sei que nunca vou conseguir tratar estas crianças como trato minhas filhas Rebeca e Rafaela, mas Deus tem me cobrado para amá-las mais. E eu achando que fazia muito (pobre orgulho), Deus vem e mostra que é possível amar mais. Estou fazendo um desabafo, conto com suas orações por isto!

“Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.” 1 Coríntios 13.13

Ore também pela saúde da Lari, a gravidez e o bebê que vem ai, ore pela Rafaela que tem estado mal de saúde nestes dias.

Se além de orar, quiser contribuir com o sustento de nossa família, clique aqui ou entre em contato.

Valeu

Ricco

Nosso papel é ser um pouco de cada…

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Um pouco pai, um pouco pastor, um pouco amigo, um pouco educador.

É assim que seguimos nosso ministério aqui na Casa Lar da Expedição Mochila na Bolívia. Na foto comigo estão o Carmelo, o Isael e o Erlan. Três garotos que chegaram aqui por motivos diferentes e temos aprendido juntos sobre o amor de Deus e a amizade.

É um prazer e um privilégio servir aqui ao lado deles aqui sendo um pouco de cada vez a cada dia!

“…Sé fiel hasta la muerte, y yo te daré la corona de la vida.” Apocalipse 2.10 RV

Ricco

O ministério missionário da Beca e da Rafa

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Ai estão nossas filhas Beca e Rafa com Amilton e Judith da Casa Lar da Expedição Mochila na Bolívia. Nossas filhas se misturam com as crianças da Casa Lar, brincam, se divertem, adoram estar com eles. E assim elas cumprem o ministério missionário junto conosco, simplesmente sendo criança!

Este é um motivo de louvor, a maneira que servem a Deus conosco hoje e como Deus tem cuidado delas.

Até mais

Ricco

Crianças brincando de barro no orfanato na Bolívia

Um pequeno vídeo, que por sinal está com a resolução bem ruim, das nossas filhas Beca e rafa brincando com os garotos do orfanato aqui na Bolívia. Foi um dia de criança, se sujaram bastante e se divertiram com água, terra e barro. Mas foi um dia muito especial, onde eu lembrei que estas crianças do orfanato são apenas crianças.

São o nosso ministério, temos que garantir comida, estudo bíblico, escola e cuidados médicos. As vezes esqueço que são apenas crianças que Deus colocou para nós cuidarmos, crianças que por algum motivo estão sem suas famílias. Realmente foi um dia muito bom para eles e para eu e a Lari também!


caso não veja o vídeo acima clique aqui

Até mais

Ricco

Cemitério de Missionários

Recebi por e-mail o texto abaixo do João Luiz, um dos meus professores da área de missões do Seminário Bíblico Palavra da Vida, e um missionário com larga experiência de campo. É uma ótima reflexão e alerta, por isso republico aqui na íntegra, com a autorização do autor. Não é uma leitura rápida, mas vale a pena se debruçar neste tema e neste texto.

Valeu

Ricco

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Cemitério de Missionários

Uma análise do não ambiente missionário da grande maioria de nossas igrejas e lares.

Ensaio

João Luiz Santiago

Li há meses o relato de um missionário discorrendo sobre as dificuldades de seu ministério na Ásia. Ele atua num país islâmico que, apesar de não completamente fechado ao evangelho, há muitas desistências de obreiros em face das dificuldades encontradas. A região é considerada, em meios missionários, como “cemitério de obreiros” ou “cemitério de missionários”. Sabe-se também de realidades semelhantes em alguns países da América Latina.

Que interessante isso, denominarmos uma região ou área ministerial como “cemitério de missionários” devido as agruras e dificuldades do trabalho. É assim denominada porque muitos obreiros voltam prematuramente do campo, como que mortificando, assim, sua vocação ministerial missionária naquele lugar.

Realmente, a falta de frutos, perseguições, antipatias variadas, sacrifícios pessoais e familiares, etc. são elementos de desânimo e retorno prematuro do campo.

Motivado por isso, gostaria aqui de fazer uma reflexão a respeito.

Entre os indígenas das selvas amazônicas há uma experiência assemelhada, eu diria. Por exemplo, nossos filhos, em nossa experiência ministerial, e de muitos colegas que atuam entre povos indígenas isolados, deixaram de ter o convívio dos parentes, encontros familiares, datas especiais, etc. Nova língua (aliás, duas em nosso caso), cultura (idem), etc. foram desafios no norte do Brasil para nossa família, com uma diferença: sem os confortos de uma cidade e seus recursos e entreterimentos, mas em duas casas isoladas. Uma totalmente de madeira, fincada, literalmente, no meio da selva (1 hora e 15 min. de voo da cidade sede da Missão!), e a outra de pau-a-pique (feita de madeira, barro e areia) nas frias serras ao lado do Monte Roraima. Naquela, água só do rio ou da chuva e, nesta, do poço. Banho? no rio ou de chubalde…

Privações e vida simples foram comuns para nossa família, assim como o é para muitos missionários entre povos indígenas do Brasil, por exemplo. Obviamente, há também muitas vezes certas animosidades por parte do povo alvo, assim como perseguições variadas em suas sutilezas e metodologias oriundas de ONGs de “defesa dos direitos humanos”, órgãos oficiais e outros interesses bastante fortes como os de garimpeiros, madeireiros, fazendeiros, grileiros, etc.

Infelizmente, eu e minha esposa não pudemos ver de forma mais clara, enquanto no campo, o resultado do trabalho de nossas mãos. Outros colegas colheram e estão colhendo, o que outrora fora semeado, o que nos causa grande alegria. Que maravilha ouvirmos de muitos obreiros atuais que estão batizando aqueles que têm entregado suas vidas a Jesus; eu não tive o privilégio de batizar nenhum dos indígenas com os quais trabalhei por 14 anos. Louvado seja o Senhor!!! Aleluias pelo que tem acontecido atualmente, e já há alguns anos.

Pois é, essa é a realidade; é o ministério missionário entre indígenas amazônicos: sacrifícios, isolamento, perseguições, privações, comidas diferentes, insetos, animais peçonhentos, malária, rios encachoeirados, perigos mil… Tudo isso é parte do dia-a-dia de obreiros nas selvas. É inerente ao ministério, pura e simplesmente.

Mas espere! Na verdade, que sacrifícios são estes comparados aos pioneiros que desbravaram há cinquenta, setenta anos atrás aquelas selvas, se embrenhando por elas? Que sacrifícios são estes comparados ao esvaziamento de Jesus quando veio e habitou entre nós???

A expressão, “cemitério de missionários” é mais uma daquelas expressões que em nada contribui para o reino ou para novos missionários se juntarem à tarefa, seja em que campo de atuação for. Conheci obreiros que trabalharam com povos indígenas e que saíram do trabalho frustrados, tristes, desanimados, etc. e nem por isso há um cemitério de missionários nas selvas amazônicas. Aliás, considerando o ministério entre os indígenas do Brasil, especialmente da região da Amazônia Legal, poderíamos tomar emprestada esta expressão para fazer referência às dificuldades, limitações, sacrifícios e outras muitas palavras que descrevem os contextos ministeriais adversos entre esses povos que ali vivem. Mas isso seria bobagem!

A expressão “cemitério de missionários” para que serve??? Serve apenas para o contraproducente, o repelir novos obreiros; serve apenas para afagar a auto comiseração de muitos obreiros, ou o ego de missionários “Indiana Jones” às avessas. Bobagem!

Os cemitérios de missionários, se é que vamos usar tal expressão sensacionalista, estão muito longe dos campos onde os obreiros atuam, seja em que continente for. Cemitério de missionários são púlpitos estéreis de desafios missionários. São púlpitos covardes que não confrontam os membros da igreja para o envolvimento em missões. Isto sim, poderíamos chamar de cemitério de missionários.

Cemitério de missionários são pais egoístas que não liberam seus filhos e filhas para o serviço de Deus. Cemitério de missionários são pastores pequenos, fracos, covardes que não são capazes de abrir a Palavra e afirmar “… assim diz o Senhor…” sobre a necessidade de mais obreiros transculturais.

Cemitério de missionários são escolas de formação teológica onde a teologia é motivo de afastamento dos futuros formandos dos campos. É sabido, e tristemente atestado, que muitos alunos iniciantes sofrem de um acentuado arrefecimento de sua visão e vocação ministeriais missionárias à medida que avançam em seus estudos teológicos. São alvos (eu diria, vítimas) de professores que atribuem à teologia, ou a carreira ministerial, como ascensão acadêmico-social, um quase “plano de carreira academicista”. Por esta razão muitos egressos dessas escolas nem pensam em sair de um grande ou médio centro para plantação de igreja em regiões necessitadas. Nem mesmo pastorear um grupo menor ou mais afastado. Missões de ponta de lança? Nem pensar em tal coisa!!! São obreiros nati-mortos em termos missionários; isto, sim, é cemitério de missionários.

Que coisa triste, lamentável mesmo pois, quem é a “mãe da teologia” senão a revelação e comunicação de Deus a nós, (missões!) que, justamente, é o objeto da teologia?!

É lamentável também vermos igrejas que têm um potencial enorme para suprirem os campos missionários com seus rapazes e moças, mas que se contam nos dedos, quando muito, os que dali saíram para os “…campos brancos para a ceifa”.

Não é pequeno o número de pastores que não conseguem ver além do reino sectário de sua igreja e ou denominação. Há muitos pastores que conseguem motivar os seus jovens para carreiras profissionais, apoiá-los em seus cursinhos e faculdades, orar por eles ao serem aprovados no vestibular ou quando vão morar em outra cidade, estado ou país distantes. Mas não os motivam à carreira ministerial. Para esta última, há uma série de exigências a serem cumpridas para que tenham a aprovação da liderança. Exigências estas muitas vezes absurdas.

Líderes que agem como se fossem os donos da vocação ou do chamado de Deus para suas ovelhas; que tristeza!

Enquanto tal ocorre muitos jovens são arrefecidos em seu entendimento do serviço a Deus. Muitos nem mesmo ouvem de seus líderes, seja do púlpito ou em conversas pessoais, sobre a necessidade de exposição do evangelho entre os povos ainda não alcançados. Não são despertados para a verdade que o alcance desses povos depende do desprendimento de rapazes e moças que se lancem, depois de bem preparados, ao campo missionário.

E o que dizer de pais que projetam nos filhos seus sonhos frustrados de outrora?! Em consequência disso, só conseguem vislumbrar uma carreira secular promissora para seus filhos. Carreira esta que produzirá ganhos materiais e estabilidade financeira, pois não admitem seus filhos como obreiros do Senhor, missionários onde Deus os quiser conduzir. Muitos até mesmo querem fazer dos seus filhos esteios de sua velhice, onde a segurança futura é depositada no bom sucesso de suas crias.

Que desperdício de juventude, criatividade, vigor, inteligência, etc. se observa quando os pais não admitem que seus filhos sirvam ao Senhor. Muitos consideram isso até mesmo vexatório, humilhante, atestado de incapacidade. “-Meu filho, obreiro do Senhor, missionário??? De forma alguma! Ele será alguém na vida”. é a afirmação, normalmente não verbalizada, mas algumas vezes, sim, de muitos pais.

Quanta marginalização por parte de pais egoístas que não conseguem ser motivadores para que seus filhos encontrem plena realização no serviço do Mestre, na obra missionária.

Sim, há muitos cemitérios de missionários em muitos lares de pais crentes mas que pouco confiam no Senhor para a condução e direção dos seus filhos.

Infelizmente, há dois tipos de pessoas, onde os jovens que desejam servir ao Senhor, encontrarão dificuldades de darem cabo de sua vocação e decisão de servirem no campo missionário: os pastores e os pais. Estes por seus, basicamente, egoísmos e medos de deixarem Deus conduzir seus filhos. Aqueles por terem uma visão medíocre e, não raras vezes, orgulhosa, a tal ponto de se constituírem nos donos da vocação de suas jovens ovelhas.

Precisamos, obviamente, reverter este triste quadro, tanto o pastoral/eclesiástico quando o paterno/familiar. A obra missionária que está diante de nós não comporta pensamentos e atitudes tão pouco visionárias, egoístas e medíocres. A obra missionária a ser feita só poderá, efetivamente, acontecer com nova mão de obra. E esta se encontra, exatamente, dentro de nossos lares e de nossas igrejas.

Ser um engenheiro, médico, advogado, dentista, militar, etc. qualquer um pode ser e desempenhar uma ótima profissão, com testemunho relevante no tecido social onde trabalhará. Mas um obreiro de Deus, um missionário de dedicação exclusiva ao serviço do Senhor, é tarefa apenas para aquele que persistentemente assim decidir e lutar. Que não se conforma com o cemitério que há ao redor de si, em sua igreja e ou lar.

Estes lutarão e insistirão já em sua própria casa e igreja, pois são, geralmente, nesses ambientes onde encontrarão as primeiras e mais fortes contrariedades para prosseguir.

Muitos pastores e pais, em flagrante reflexo de falta de visão e compromisso sério e visionário com Deus, serão os primeiros a tentarem (e muitos o conseguirão) demover suas ovelhas e filhos dessa “loucura” de querer ser missionários.

Nossa família, filhos e nossas ovelhas são instrumentos do Senhor para o alcance dos perdidos sem o conhecimento de Deus. Mas para que nós, pais e pastores, saibamos conduzir tais instrumentos a efetividade ministerial, necessitamos usar mais adequadamente a autoridade que o Senhor nos delegou. Usá-la com visão larga e aberta das necessidades e oportunidades do campo missionário. Usá-la debaixo da dependência do Senhor desses campos e do Seu desejo em alcançá-los. Usá-la de forma menos egoísta e marginal, a fim de que nossas ovelhas e filhos vejam em nós o entendimento de serem eles a resposta de Deus aos campos.

Queridos, precisamos abrir mão dessa potencial mão-de-obra; precisamos dar direcionamento bíblico abalizado a ela; precisamos ser melhores mordomos das ovelhas de nossas igrejas e filhos de nossos lares.

Não podemos ser pás que trabalham com a morte num cemitério de missionários em nossas igrejas e lares.

Que sejamos aqueles que trabalham com a “puericultura missionária”. Aqueles que promovem e asseguram o nascimento e o desenvolvimento de visões saudáveis naqueles que o Senhor nos deu a liderar.

Que O Senhor nos ajude. E Ele assim quer!

Juntos com Jesus, o Missionário por excelência,

João Luiz Santiago

João Luiz, e Denise, sua esposa, são missionários da MEVA.
Trabalharam 14 anos entre os yanomamis e macuxis, no estado de RR.
Atualmente coordena o Dpto. de Missões do SBPV.
Seu filho, João Luiz (Joãozinho), é também missionário da MEVA entre os yanomamis.
Sua filha, Lara Luíza, com seu marido, André, se preparam para a obra.