Segurando as cordas

Acho muito inadequado o termo “trabalho secular” para se referir a alguém que não está ligado diretamente a obra missionária e pastoral. Existe um movimento dentro das igrejas que quase canoniza os missionários, e quanto mais pra longe ele vai, parece que mais espiritual ele é. Ai tem alguém que trabalha o mês inteiro, acorda cedo, aguenta o chefe, os clientes, chega tarde em casa, trabalha duro o mês inteiro. No final ele oferta para a obra de Deus e garante que o trabalho missionário aconteça. Ai dizemos que o trabalho do missionário é santo e do que está sustentando a obra é “secular”.

corda

Precisamos de um movimento para abaixar a bola dos missionários e levantar a dos mantenedores, e assim trazer um equilíbrio onde a única pessoa importante da missão seja Jesus Cristo! Se você oferta para a obra missionária ou dá qualquer outro suporte as equipes e aos projetos, você está conectado com Cristo e com o avanço do Seu reino. O seu trabalho, não importa qual seja, não é secular, mas é tão espiritual quanto o do missionário no campo!!!

Segurar as cordas é tão espiritual, importante e necessário quanto descer no fundo do poço.

E nesta missão, o único importante é Ele!

10 coisas que os missionários não irão te falar

Estes dias recebi de um amigo o link para o post “10 THINGS MISSIONARIES WON’T TELL YOU” (10 coisas que os missionários não irão te falar) e me identifiquei com alguns pontos enquanto achei outros exagerado ou bem pessimista. Porém é um lado da moeda que poucas vezes você, que não é missionário, vai perceber. Claro que esta lista não é uma regra, eu mesmo não me encaixo nem um pouco nos pontos 1, 6, 8 e 9. No post original um casal de missionários na Ásia escreveu uma resposta contrastando com cada ponto e mostrando que cada missionário e suas histórias são bem diferentes. Mas acho que vale a leitura e a reflexão.

Ricco

10 COISAS QUE OS MISSIONÁRIOS NAO IRÃO TE FALAR
por Adam Mosley – veja o artigo original aqui http://www.trinitykenya.com/10-things-missionaries-wont-tell/

Ser um missionário é um trabalho duro, e todo mundo sabe disso. Mas as partes que achamos mais pesadas, tais como a falta de equipamentos modernos, exposição a doenças, e assim por diante – são apenas o início das dificuldades de um verdadeiro missionário. Geralmente, as coisas não faladas, são as que realmente começam a consumir a paixão e alma de um missionário. Aqui estão apenas algumas dessas coisas:

escrever

1. ELES NÃO TÊM TEMPO OU ENERGIA PARA ESCREVER… MAS ELES O FAZEM PARA VOCÊ

O QUE ELES DIZEM
Você já leu o meu último boletim informativo?

O QUE ELES QUEREM DIZER
Boletins informativos, posts de blog, atualizações de website – todos os “experts” me dizem que eu preciso estar enviando conteúdo novo com frequência para que você não se esqueça de mim. Mas o que acontece é que… escrever é difícil, especialmente para aqueles que não são escritores natos. Você sabe o que mais é difícil? HTML, CSS, PHP (códigos para páginas web), e muitas outras coisas tecnológicas que você tem que aprender somente para fazer um website ou e-mail parecerem decentes. Eu realmente quero lhe dizer o que de fato acontece, mas é difícil tornar uma narrativa interessante, enquanto eu tenho uma criança doente dormindo no meu colo. Se eu tiver ainda que procurar como codificar um link “enviar para” uma vez mais, eu vou acabar gritando!

like

2. CURTIDAS DE FACEBOOK NÃO PAGAM AS CONTAS

O QUE ELES DIZEM
Muito obrigado pelo incentivo!

O QUE ELES QUEREM DIZER
Fico feliz que você gostou do meu status do Facebook, de verdade. A coisa é, quando eu digo que precisamos de 1200 dólares até o final da semana para pagar as matrículas escolares para crianças órfãs, eu estou falando de dinheiro e necessidade real. Ao contrário dos rumores, Bill Gates não doa 1 dólar para cada curtida. Essa parte é com você. Então, da próxima vez que você curtir meu status, considere me enviar alguns dólares também.

dinheiro

3. ELES PEDEM DINHEIRO POR NÃO TEREM OUTRA ESCOLHA

O QUE ELES DIZEM
Eu estou confiando em Deus para prover, e eu sou muito grato por nossos colaboradores.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Antes que você pense que o item nº2 soou um pouco chorão e faminto por dinheiro, você deveria saber que eu sempre odeio pedir dinheiro, sempre; e agora eu tenho que pedir quase o tempo todo. Mesmo quando eu não estou pedindo, eu estou pensando em pedir. Nunca há recursos suficientes para fazer todo o bem que eu estou tentando fazer, e eu vivo com uma sensação incômoda de que a única pessoa que eu não peço é quem teria escrito o generoso cheque. Então, quando eu pedir dinheiro, saiba que eu o faço com temor e tremor.

solidao

4. VOCÊ NUNCA FICARÁ SABENDO SOBRE OS PIORES DIAS DELES

O QUE ELES DIZEM
Por favor orem por mim. Esta semana tem sido de desafios.

O QUE ELES QUEREM DIZER
As coisas estão muito mal aqui. Se eu lhe dissesse o que realmente está acontecendo, ou você viria me resgatar, ou iria pensar que eu estou exagerando. Se você ouvisse algumas das coisas que eu falo em voz alta, você questionaria a minha salvação. Se você soubesse alguns dos pensamentos que passam em minha cabeça, você questionaria a minha sanidade mental. Às vezes, dias bons são difíceis de acontecer, mas eu não me atrevo a lhe contar o pior, porque se eu o fizer, você provavelmente irá me dizer para jogar a toalha.

ferias

5. ELES PRECISAM DE UMAS FÉRIAS…MAS NÃO VÃO TE CONTAR SE ELES TIRAREM UMA

O QUE ELES DIZEM
Eu preciso de um tempo para descansar.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Depois de 2 ou 3 anos de trabalho árduo, a maioria das pessoas se sentem merecedoras de um pouco de descanso. Levam a família para a praia, visitam um parque temático, um parque nacional, ou um parque da cidade. Eu adoraria um período de férias, mas honestamente, eu me sinto culpado “mimando” a mim mesmo, ao invés de estar colocando todo o meu tempo e recursos no ministério. Em cima disso, eu sei que algumas pessoas vão me julgar se minhas férias forem “muito boas”. Se eu economizar centavos por 5 anos para que eu possa passar uma semana em uma ilha exótica, você nunca vai ouvir a respeito, porque eu não vou poder lidar com os comentários sarcásticos (aqueles que vão jogar na minha cara) como “deve ser muito bom”, ou mesmo, “minhas doações pagaram as suas férias” (pensam, mas não dizem em voz alta, pelo menos não para mim). Por isso, eu mantenho algumas coisas boas somente para mim mesmo, por medo de ser julgado.

grupos

6. RECEBER EQUIPES É UM PESADELO

O QUE ELES DIZEM
Estou empolgado com a vinda da sua equipe

O QUE ELES QUEREM DIZER
Valeu a intenção. Você acha que está me fazendo um favor. Trinta pessoas aparecem na minha porta e esperam que eu forneça transporte, alimentação, hospedagem, passeios, e uma longa lista de projetos. Você está aqui para “ajudar”. Nas outras 51 semanas do ano, conseguimos muito bem fazer o que precisa ser feito aqui sem a ajuda de vocês, com exceção do tempo que gastamos trabalhando na logística da sua equipe. Você vem e quer ajudar a construir uma cerca, sendo que eu posso contratar trabalhadores locais para construí-la por uma pequena fração do que você gastou para vir até aqui. Eu aprecio o seu desejo de ajudar, e eu ainda amo ter visitantes, mas considere o tamanho e as expectativas de seu grupo antes de planejar a sua viagem. Uma equipe de 3 ou 4 pessoas altamente qualificadas é muito mais valioso para o nosso ministério do que um bando de turistas de missão.

casa

7. “VOLTAR PARA CASA” DÁ MUITO TRABALHO

O QUE ELES DIZEM
É muito bom estar de volta ao lar.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Por favor, entenda que eu agora tenho duas casas. Quando estou em uma, eu estou longe da outra, e há muita emoção envolvida nisso. Além de tudo, minha vida é uma loucura quando vou “para casa”. Eu tenho que ver parentes e amigos, visitar igrejas parceiras, e cuidar de assuntos referentes a minha saúde, meus aparelhos eletrônicos e minha papelada do governo. Quer se trate de algumas semanas ou alguns meses, eu gasto meu tempo vivendo agitadamente fazendo as malas e correndo de um compromisso para a outro. É bom estar em casa? Claro, mas quando eu entro no avião para ir para a minha outra casa, eu respiro aliviadamente que a vida está quase de volta ao “normal”.

controle

8. É FÁCIL PARA DEUS NÃO ESTAR NO COMANDO DAS VIDAS DELES

O QUE ELES DIZEM
Eu não sou bom em cuidar de mim mesmo.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Vamos admitir, eu não sou nenhum santo. Eu não sou mais espiritual do que você. Eu não começo o meu dia com três horas de leitura devocionais e oração. Eu normalmente me levanto e começo a trabalhar. E há muito trabalho a ser feito. Na verdade, há tanta necessidade aqui que é muito fácil estar focado em fazer as coisas de Deus, e acabar perdendo de vista o próprio Deus. Ao prosseguir na minha vocação, eu de alguma forma tenho me esquecido daquele que me chamou. A minha vida espiritual é quase inexistente, além do ocasional grito desesperado de “Por que Deus?”

acreditar

9. É DIFÍCIL CONFIAR NAS PESSOAS

O QUE ELES DIZEM
Estou apenas procurando por alguns parceiros estratégicos.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Existem pessoas boas aqui, realmente há, mas eu tenho presenciado o pior da humanidade em meu trabalho por aqui, em grande parte de pessoas com quem trabalhei e confiei. Outros missionários e pastores podem ser o pior. Quando você pensa que conhece alguém, ele quer apunhalá-lo pelas costas, pela frente, e por ambos os lados. Eu cheguei a um ponto onde eu simplesmente não confio em ninguém. Estou armado, e vou continuar assim. Eu me recuso a me queimar novamente. Se isso significa que eu tenha que fazer tudo sozinho, assim será.

sozinho

10. ELES SÃO SOLITÁRIOS

O QUE ELES DIZEM
Eu estou bem – apenas muito ocupado com o ministério.

O QUE ELES QUEREM DIZER
Tenho negligenciado meu relacionamento com Deus, e desistido de pessoas completamente, só me sobrou eu mesmo. Eu odeio isso. Eu quero desistir. Eu tenho sonhos sobre o que minha vida seria se eu voltasse para minha cidade natal, a minha antiga igreja, e os meus velhos amigos. Eu poderia conseguir um emprego normal, ganhar um salário – com seguro saúde e férias pagas. Eu poderia fazer compras e comer em lugares normais. Acima de tudo, eu poderia ter relacionamentos normais. Mas aqui? Eu estou sozinho. Eu não sei se há alguém como eu aqui, e eu sei que ninguém em casa entende. Quero me sentir querido, convidado, e amado. Eu quero alguém que derrame sobre mim, da mesma maneira que eu estou derramando sobre os outros.

Sou imensamente grato aos meus amigos missionários ao redor do mundo que me ajudaram a formular esta lista. Se você é um amigo, familiar, ou ajuda a um missionário, por favor, compartilhe essa matéria com eles e promova um debate de qualidade sobre estas questões. Para saber mais sobre a nossa resposta, visite www.trinitykenya.com

*imagens retiradas do post original

*Agradeço ao meu amigo Paulo Vianna da Missão Paifes pela tradução do artigo original em inglês para o português para podermos dividir com você aqui no blog.

A decepção com o filme Noé

Condenam o filme Noé como herético, como se pudesse sair alguma coisa não herética de Hollywood. A decepção com o filme Noé também é uma decepção com a ideia de que o Evangelho deve ser comunicado pela arte como o cinema e a música. A mensagem do simples púlpito na igreja perde importância nesta geração. O cinema tem obrigação de ser fiel a Bíblia só por que escolheu Noé? Muito acreditam que sim. Reclamam do filme Noé como se reclama de um pregador que fala besteira.

Exigir que o cinema hollywoodiano nos alimente como a mensagem do púlpito. Isso é um problema, não o filme Noé.

P.S.: Não assisti Noé, a sala de cinema mais próxima fica 600 km de onde eu moro.

Cemitério de Missionários

Recebi por e-mail o texto abaixo do João Luiz, um dos meus professores da área de missões do Seminário Bíblico Palavra da Vida, e um missionário com larga experiência de campo. É uma ótima reflexão e alerta, por isso republico aqui na íntegra, com a autorização do autor. Não é uma leitura rápida, mas vale a pena se debruçar neste tema e neste texto.

Valeu

Ricco

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Cemitério de Missionários

Uma análise do não ambiente missionário da grande maioria de nossas igrejas e lares.

Ensaio

João Luiz Santiago

Li há meses o relato de um missionário discorrendo sobre as dificuldades de seu ministério na Ásia. Ele atua num país islâmico que, apesar de não completamente fechado ao evangelho, há muitas desistências de obreiros em face das dificuldades encontradas. A região é considerada, em meios missionários, como “cemitério de obreiros” ou “cemitério de missionários”. Sabe-se também de realidades semelhantes em alguns países da América Latina.

Que interessante isso, denominarmos uma região ou área ministerial como “cemitério de missionários” devido as agruras e dificuldades do trabalho. É assim denominada porque muitos obreiros voltam prematuramente do campo, como que mortificando, assim, sua vocação ministerial missionária naquele lugar.

Realmente, a falta de frutos, perseguições, antipatias variadas, sacrifícios pessoais e familiares, etc. são elementos de desânimo e retorno prematuro do campo.

Motivado por isso, gostaria aqui de fazer uma reflexão a respeito.

Entre os indígenas das selvas amazônicas há uma experiência assemelhada, eu diria. Por exemplo, nossos filhos, em nossa experiência ministerial, e de muitos colegas que atuam entre povos indígenas isolados, deixaram de ter o convívio dos parentes, encontros familiares, datas especiais, etc. Nova língua (aliás, duas em nosso caso), cultura (idem), etc. foram desafios no norte do Brasil para nossa família, com uma diferença: sem os confortos de uma cidade e seus recursos e entreterimentos, mas em duas casas isoladas. Uma totalmente de madeira, fincada, literalmente, no meio da selva (1 hora e 15 min. de voo da cidade sede da Missão!), e a outra de pau-a-pique (feita de madeira, barro e areia) nas frias serras ao lado do Monte Roraima. Naquela, água só do rio ou da chuva e, nesta, do poço. Banho? no rio ou de chubalde…

Privações e vida simples foram comuns para nossa família, assim como o é para muitos missionários entre povos indígenas do Brasil, por exemplo. Obviamente, há também muitas vezes certas animosidades por parte do povo alvo, assim como perseguições variadas em suas sutilezas e metodologias oriundas de ONGs de “defesa dos direitos humanos”, órgãos oficiais e outros interesses bastante fortes como os de garimpeiros, madeireiros, fazendeiros, grileiros, etc.

Infelizmente, eu e minha esposa não pudemos ver de forma mais clara, enquanto no campo, o resultado do trabalho de nossas mãos. Outros colegas colheram e estão colhendo, o que outrora fora semeado, o que nos causa grande alegria. Que maravilha ouvirmos de muitos obreiros atuais que estão batizando aqueles que têm entregado suas vidas a Jesus; eu não tive o privilégio de batizar nenhum dos indígenas com os quais trabalhei por 14 anos. Louvado seja o Senhor!!! Aleluias pelo que tem acontecido atualmente, e já há alguns anos.

Pois é, essa é a realidade; é o ministério missionário entre indígenas amazônicos: sacrifícios, isolamento, perseguições, privações, comidas diferentes, insetos, animais peçonhentos, malária, rios encachoeirados, perigos mil… Tudo isso é parte do dia-a-dia de obreiros nas selvas. É inerente ao ministério, pura e simplesmente.

Mas espere! Na verdade, que sacrifícios são estes comparados aos pioneiros que desbravaram há cinquenta, setenta anos atrás aquelas selvas, se embrenhando por elas? Que sacrifícios são estes comparados ao esvaziamento de Jesus quando veio e habitou entre nós???

A expressão, “cemitério de missionários” é mais uma daquelas expressões que em nada contribui para o reino ou para novos missionários se juntarem à tarefa, seja em que campo de atuação for. Conheci obreiros que trabalharam com povos indígenas e que saíram do trabalho frustrados, tristes, desanimados, etc. e nem por isso há um cemitério de missionários nas selvas amazônicas. Aliás, considerando o ministério entre os indígenas do Brasil, especialmente da região da Amazônia Legal, poderíamos tomar emprestada esta expressão para fazer referência às dificuldades, limitações, sacrifícios e outras muitas palavras que descrevem os contextos ministeriais adversos entre esses povos que ali vivem. Mas isso seria bobagem!

A expressão “cemitério de missionários” para que serve??? Serve apenas para o contraproducente, o repelir novos obreiros; serve apenas para afagar a auto comiseração de muitos obreiros, ou o ego de missionários “Indiana Jones” às avessas. Bobagem!

Os cemitérios de missionários, se é que vamos usar tal expressão sensacionalista, estão muito longe dos campos onde os obreiros atuam, seja em que continente for. Cemitério de missionários são púlpitos estéreis de desafios missionários. São púlpitos covardes que não confrontam os membros da igreja para o envolvimento em missões. Isto sim, poderíamos chamar de cemitério de missionários.

Cemitério de missionários são pais egoístas que não liberam seus filhos e filhas para o serviço de Deus. Cemitério de missionários são pastores pequenos, fracos, covardes que não são capazes de abrir a Palavra e afirmar “… assim diz o Senhor…” sobre a necessidade de mais obreiros transculturais.

Cemitério de missionários são escolas de formação teológica onde a teologia é motivo de afastamento dos futuros formandos dos campos. É sabido, e tristemente atestado, que muitos alunos iniciantes sofrem de um acentuado arrefecimento de sua visão e vocação ministeriais missionárias à medida que avançam em seus estudos teológicos. São alvos (eu diria, vítimas) de professores que atribuem à teologia, ou a carreira ministerial, como ascensão acadêmico-social, um quase “plano de carreira academicista”. Por esta razão muitos egressos dessas escolas nem pensam em sair de um grande ou médio centro para plantação de igreja em regiões necessitadas. Nem mesmo pastorear um grupo menor ou mais afastado. Missões de ponta de lança? Nem pensar em tal coisa!!! São obreiros nati-mortos em termos missionários; isto, sim, é cemitério de missionários.

Que coisa triste, lamentável mesmo pois, quem é a “mãe da teologia” senão a revelação e comunicação de Deus a nós, (missões!) que, justamente, é o objeto da teologia?!

É lamentável também vermos igrejas que têm um potencial enorme para suprirem os campos missionários com seus rapazes e moças, mas que se contam nos dedos, quando muito, os que dali saíram para os “…campos brancos para a ceifa”.

Não é pequeno o número de pastores que não conseguem ver além do reino sectário de sua igreja e ou denominação. Há muitos pastores que conseguem motivar os seus jovens para carreiras profissionais, apoiá-los em seus cursinhos e faculdades, orar por eles ao serem aprovados no vestibular ou quando vão morar em outra cidade, estado ou país distantes. Mas não os motivam à carreira ministerial. Para esta última, há uma série de exigências a serem cumpridas para que tenham a aprovação da liderança. Exigências estas muitas vezes absurdas.

Líderes que agem como se fossem os donos da vocação ou do chamado de Deus para suas ovelhas; que tristeza!

Enquanto tal ocorre muitos jovens são arrefecidos em seu entendimento do serviço a Deus. Muitos nem mesmo ouvem de seus líderes, seja do púlpito ou em conversas pessoais, sobre a necessidade de exposição do evangelho entre os povos ainda não alcançados. Não são despertados para a verdade que o alcance desses povos depende do desprendimento de rapazes e moças que se lancem, depois de bem preparados, ao campo missionário.

E o que dizer de pais que projetam nos filhos seus sonhos frustrados de outrora?! Em consequência disso, só conseguem vislumbrar uma carreira secular promissora para seus filhos. Carreira esta que produzirá ganhos materiais e estabilidade financeira, pois não admitem seus filhos como obreiros do Senhor, missionários onde Deus os quiser conduzir. Muitos até mesmo querem fazer dos seus filhos esteios de sua velhice, onde a segurança futura é depositada no bom sucesso de suas crias.

Que desperdício de juventude, criatividade, vigor, inteligência, etc. se observa quando os pais não admitem que seus filhos sirvam ao Senhor. Muitos consideram isso até mesmo vexatório, humilhante, atestado de incapacidade. “-Meu filho, obreiro do Senhor, missionário??? De forma alguma! Ele será alguém na vida”. é a afirmação, normalmente não verbalizada, mas algumas vezes, sim, de muitos pais.

Quanta marginalização por parte de pais egoístas que não conseguem ser motivadores para que seus filhos encontrem plena realização no serviço do Mestre, na obra missionária.

Sim, há muitos cemitérios de missionários em muitos lares de pais crentes mas que pouco confiam no Senhor para a condução e direção dos seus filhos.

Infelizmente, há dois tipos de pessoas, onde os jovens que desejam servir ao Senhor, encontrarão dificuldades de darem cabo de sua vocação e decisão de servirem no campo missionário: os pastores e os pais. Estes por seus, basicamente, egoísmos e medos de deixarem Deus conduzir seus filhos. Aqueles por terem uma visão medíocre e, não raras vezes, orgulhosa, a tal ponto de se constituírem nos donos da vocação de suas jovens ovelhas.

Precisamos, obviamente, reverter este triste quadro, tanto o pastoral/eclesiástico quando o paterno/familiar. A obra missionária que está diante de nós não comporta pensamentos e atitudes tão pouco visionárias, egoístas e medíocres. A obra missionária a ser feita só poderá, efetivamente, acontecer com nova mão de obra. E esta se encontra, exatamente, dentro de nossos lares e de nossas igrejas.

Ser um engenheiro, médico, advogado, dentista, militar, etc. qualquer um pode ser e desempenhar uma ótima profissão, com testemunho relevante no tecido social onde trabalhará. Mas um obreiro de Deus, um missionário de dedicação exclusiva ao serviço do Senhor, é tarefa apenas para aquele que persistentemente assim decidir e lutar. Que não se conforma com o cemitério que há ao redor de si, em sua igreja e ou lar.

Estes lutarão e insistirão já em sua própria casa e igreja, pois são, geralmente, nesses ambientes onde encontrarão as primeiras e mais fortes contrariedades para prosseguir.

Muitos pastores e pais, em flagrante reflexo de falta de visão e compromisso sério e visionário com Deus, serão os primeiros a tentarem (e muitos o conseguirão) demover suas ovelhas e filhos dessa “loucura” de querer ser missionários.

Nossa família, filhos e nossas ovelhas são instrumentos do Senhor para o alcance dos perdidos sem o conhecimento de Deus. Mas para que nós, pais e pastores, saibamos conduzir tais instrumentos a efetividade ministerial, necessitamos usar mais adequadamente a autoridade que o Senhor nos delegou. Usá-la com visão larga e aberta das necessidades e oportunidades do campo missionário. Usá-la debaixo da dependência do Senhor desses campos e do Seu desejo em alcançá-los. Usá-la de forma menos egoísta e marginal, a fim de que nossas ovelhas e filhos vejam em nós o entendimento de serem eles a resposta de Deus aos campos.

Queridos, precisamos abrir mão dessa potencial mão-de-obra; precisamos dar direcionamento bíblico abalizado a ela; precisamos ser melhores mordomos das ovelhas de nossas igrejas e filhos de nossos lares.

Não podemos ser pás que trabalham com a morte num cemitério de missionários em nossas igrejas e lares.

Que sejamos aqueles que trabalham com a “puericultura missionária”. Aqueles que promovem e asseguram o nascimento e o desenvolvimento de visões saudáveis naqueles que o Senhor nos deu a liderar.

Que O Senhor nos ajude. E Ele assim quer!

Juntos com Jesus, o Missionário por excelência,

João Luiz Santiago

João Luiz, e Denise, sua esposa, são missionários da MEVA.
Trabalharam 14 anos entre os yanomamis e macuxis, no estado de RR.
Atualmente coordena o Dpto. de Missões do SBPV.
Seu filho, João Luiz (Joãozinho), é também missionário da MEVA entre os yanomamis.
Sua filha, Lara Luíza, com seu marido, André, se preparam para a obra.

Saiba mais sobre o orfanato na Bolívia

niños carcel bolivia orfanatocrianças no orfanato da Expedição Mochila na Bolívia

O orfanato aqui na Bolívia começou e estamos caminhando, aprendendo, descobrindo. Tem sido uma boa experiência cuidar dos garotos aqui. O nosso plano original era tirar as crianças do presídio de Puerto Suarez, e cumprimos esta tarefa. Estamos fazendo mais, pois a Defensoria de la Niñez da cidade tem nos enviado crianças órfãs, abandonadas e com todo tipo de abuso e exploração.

Uma boa maneira de ficar informado sobre o orfanato é dar um CURTIR na página da Expedição Mochila no Facebook.

Eu montei uma lista com vários links de matérias, vídeos, reportagens e outras informações sobre as crianças nos presídios da Bolívia. Tem matéria da TIME e da BBC, vídeos de ministérios que atuam na Bolívia e bastante coisa para você se informar. Clique aqui e veja a lista, e aos poucos pode ir tomando conhecimento do tamanho do desafio que estamos envolvidos ao decidir trabalhar para tirar as crianças dos presídios.

Valeu e até mais

Ricco

Foi assim que tudo começou

Hoje estamos aqui na Bolívia, no campo missionário transcultural, tempo integral no ministério e com preparo formal pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Mas para obedecer a Deus não precisa nada disto, basta tomar uma atitude e começar hoje, onde está. O vídeo abaixo mostra nosso primeiro trabalho de evangelismo e discipulado. Era no bairro onde morávamos em São Paulo, não era o campo missionário transcultural. Eu ainda trabalhava secularmente e não estava tempo integral no ministério. Eu não tinha preparo formal e nem pensava que um dia ai a um seminário bíblico.

Foi assim que tudo começou, abrindo espaço em nossa agenda e obedecendo ao “ide” onde estávamos e com as ferramentas que tínhamos na mão. Espero que sirva de exemplo para você saber que pode obedecer ao “ide” agora mesmo onde você está!


caso não veja o vídeo acima clique aqui

até mais

Ricco