Série no Evangelho de João: Encontros com pessoas. Nicodemos, cap. 3.

Série no Evangelho de João: Encontros com pessoas.
Nicodemos, cap. 3.1-21.

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Devemos considerar, antes de começar, a envergadura de um homem como Nicodemos de procurar Jesus. Tamanha era sua importância que ele o procura a noite, pois normalmente um grande mestre da lei, um fariseu, um homem importante, não procurava Jesus para aprender, mas sim para contestar, testar, provocar.

Nicodemos mostra humildade em querer aprender, mesmo sendo um fariseu. Esta passagem mostra como nada no mundo pode trazer a verdadeira Luz e ensino ao homem a não ser Jesus Cristo. Nicodemos conhecia muito bem a Lei, mas tanto a Lei como sua inteligência e influência (capacidade de conhecer, pesquisar, consultar) era insuficiente para as suas ânsias e dúvidas mais íntimas, mais inquietantes. Na verdade creio que o conhecimento da Lei fez dar atenção a Jesus, coisas que outros fariseus por orgulho ou outro motivo, repudiavam.

Com Nicodemos começamos aprendendo sobre humildade do homem e incapacidade das religiões e filosofias fora de Cristo para darem uma resposta ao homem que o tranquilize sobre a vida eterna e a vida com Deus aqui na terra hoje.

Nicodemos procura Jesus após a purificação do templo (João 2.12-22). Uma ação que talvez causasse repulsa na maioria dos líderes, especialmente das autoridades judaicas que permitiam aquilo ali (talvez recebessem propina e comissão, talvez; fato é que os líderes judeus poderiam acabar com aquele comercio e não faziam). Nicodemos talvez tenha visto em Jesus, neste ato de purificação do templo, algo correto, algo justo, algo verdadeiro. Nicodemos, depois da purificação do templo e de outros sinais, pensou que realmente Jesus tinha algo de divino. Mas ao ver algo certo, apesar de traumático, como a purificação do templo, ele não se afastou, mas se aproximou de Jesus. Humildade para aprender e verificar antes de contestar e condenar, algo que Nicodemos mostrou em João 7.50-51.

“Sabemos” no v.2 mostra que havia mais pessoas que estavam observando Jesus e seus feitos, mas Nicodemos tomou a atitude de ir lá falar com ele. Este “sabemos” pode ser o povo geral, mas acho que Nicodemos estava se referindo ao seu círculo mais próximo, incluindo outros fariseus. Mas o que Jesus fala e ensina a Nicodemos é algo para todo o homem e não apenas algo particular para Nicodemos, é um ensino sobre salvação e sobre o amor de Deus ao mundo, é um ensino para todo homem sobre o quanto Deus os amou, João 3.16.

Nicodemos foi a Jesus falando de sinais, v.2, de algo que se vê e impressiona. E é isto que buscamos em Jesus muitas vezes, sinais, algo palpável, visível. Mas Nicodemos foi surpreendido com o ensino de Jesus sobre novo nascimento, v.3. Tanto pela surpresa de algo que talvez ele não esperasse ouvir, quanto pela impossibilidade humana de isto acontecer. Não sabemos o que Nicodemos foi buscar, mas ao reconhecer que Jesus era Mestre, talvez estivesse pensando em questões políticas, como todos ou a grande maioria da época via Jesus. E mesmo que tenha ido pensando em coisas espirituais, foi surpreendido com algo que não falava, ou não estava explícito, na Lei que ele bem conhecia. Nicodemos ouviu algo que nunca tinha ouvido antes, algo que era impossível se realizar humanamente. Ele ficou intrigado, mas sempre mostrando disposição em aprender. O que era este negócio de nascer de novo? v.4, 7 e 10. Creio que Jesus queria dirigir a conversa para algo espiritual e não só terreno como sinais visíveis, Jesus queria falar de conversão de vida, de mudança de coração, de algo que não se consegue de maneira humana ou por meios naturais.

Jesus associa a questão de nascer de novo com o reino de Deus. E Jesus fala de “ver” o reino de Deus no v.3 e “entrar” no reino de Deus no v.5, é através do novo nascimento que a pessoa passa a ver e perceber uma nova vida, um novo estilo de vida, é uma visão que se colocada em prática, é a conversão vivida, o real nascer de novo. É impossível ver se não crer antes, quem não nasce de novo não vê o reino de Deus, v.3. É impossível viver esta vida se não a vermos antes, se não tivermos esta visão do reino de Deus, e assim acreditarmos, nasce em nós uma nova esperança. O nascer de novo é uma nova realidade na mesma vida terrena, no mesmo dia-a-dia, continuamos com o mesmo cabelo, mesma altura, mesmos familiares, continuamos vivendo nossa vida na terra. O que muda é o coração a partir da fé em Cristo e Sua obra, e consequentemente nossos pensamentos e atitudes.

O reino de Deus nada mais é que o domínio de Deus (Gn 1.28), o homem vivendo totalmente debaixo da suprema vontade de Deus, é a vontade de Deus levada a cabo sem contestação ou desvio. O reino de Deus é a obediência total a Deus, esta é a nova vida que vemos e vivemos quando nascemos de novo. O reino de Deus é a vontade suprema de Deus no coração do individuo, algo pessoal e individual, na comunidade cristã e refletindo onde ela esta inserida, algo comunitário, tanto para esta época do hoje, nosso tempo, como na vindoura.

Nascer de novo é, acima de tudo, se tornar criança e aprender tudo de novo sobre Deus, mundo, pessoas, relacionamentos, sobre a vida. É a disposição em ser discípulo, aprendiz, mesmo já sendo adulto e sabendo bastante coisa sobre a vida. Nascer de novo implica humildade para agir de maneira diferente em obediência a Palavra de Deus e não mais agir do mesmo modo guiado por nós mesmos.

Porque Jesus fala sobre o vento comparando o nascer de novo, ou a pessoa que nasce de novo no v.8 Assim como não entendemos totalmente as questões do vento, não entendemos totalmente as questões de um novo nascimento e do agir de Deus no coração do homem. Porém assim como ouvimos o vento, também temos algumas evidências na vida de uma pessoa que nasceu de novo, e creio que tenha a ver com ouvi-la porque agora ela fala e testemunha do reino de Deus, é isso que sugere o contexto seguinte, a partir do v.11. Não entendemos de onde o vento vem e para onde vai o vento, mas o percebemos ouvindo-o, temos uma evidência que o vento esta ali naquele momento. O reino de Deus não é algo visível (Lucas 18.20-21), mas é algo perceptível através de vidas transformadas pela Palavra e pelo Espírito. Vidas onde Jesus Cristo é o rei em seu coração e sito é manifesta pela sua total obediência a Palavra. Entrar no reino de Deus é algo que começa agora, começa hoje, entramos no reino de Deus quando nos convertemos crendo em Cristo Jesus. Apesar de não entendermos totalmente como o Espírito Santo age em nós quando cremos, as pessoas perceberão as evidências desta conversão, e talvez a principal evidência seja o anunciar o reino de Deus a outras pessoas.

Deus deu Jesus ao mundo por amor aos homens, v.16, e para combater e vencer o pecado e o mal. Um convertido não vive mais pecando, escravo do pecado. Ainda temos a natureza pecaminosa, ainda cometemos pecado (cada vez menos cometemos pecados; somos libertos dos “grandes” pecados; cada vez mais o pecado é um acidente na vida no crente), mas não temos mais a punição pelos pecados. E isso ocorre porque olhamos para aquele que se fez pecado por nós, Jesus Cristo, assim como a questão da serpente no deserto com Moisés, v.13. Quando o pvo olhava para a serpente olhava para cima também, via a serpente, que representava a punição de seu pecado, mas via por detrás da serpente o céu, de onde vinha o socorro, lembravam-se do erro e do amor e misericórdia de Deus ao curá-los. A serpente estava em uma haste, como um estandarte, ao alto, assim como Cristo. Quando olhamos para a cruz vemos Jesus e o pecado sendo vencido, e vemos ao fundo o céu para nos lembrarmos de Deus e que d’Ele vem a salvação através de Cristo.

Ninguém subiu ao céu a não ser o que veio do céu, v.13, Jesus é a conexão para o nascer de novo, ou nascer do alto. Jesus é o enviado de Deus para salvar o homem, é nisto que se deve crer, v.15 a 17. Pois Ele veio do alto trazendo este ensino e possibilidade de salvação. Vida eterna no v.15 não tem tanta ênfase no tempo de vida e sim no tipo de vida de quem possui a eternidade já a partir de hoje. O foco é no estilo de vida de alguém que recebeu a vida eterna do Pai crendo hoje e vivendo a santidade agora, no seu dia-a-dia. As obras do homem, o viver do homem, demonstrarão se ele creu mesmo em Jesus Cristo, v.18 a 21. Claro que devemos pensar no tempo, na eternidade que passaremos com Deus, mas a ênfase é a na qualidade da vida hoje, apesar da questão temporal estar o texto.

Conclusão:

Nicodemos verdadeiramente abriu seu coração para aprender, para ser discípulo no sentido mais real da palavra “aprendiz”. Mesmo sendo mestre, sabia que Jesus tinha algo a ensinar e dar a ele. Nada no mundo vai nos satisfazer de verdade fora de Cristo, nenhum ensino, nenhuma religião, nenhuma filosofia, nenhum estilo de vida ou crença. Somente Jesus tem as respostas e a Vida que precisamos.

Devemos crer e se entregar a Jesus, deixar que Ele faça uma obra em nossa vida, em nosso coração, em nossos pensamentos. Não vamos entender tudo, mas teremos algumas evidências em nós que mostram este novo nascimento. Uma das evidências é que agora falamos do reino de Deus, anunciamos a maravilhosa salvação que recebemos para outros.

Deus amou o mundo e fez algo por nós, mas você ama a Deus?! O novo nascimento começa em nossa reposta ao amor de Deus, O amando e crendo que Ele tem o melhor para nós, que Ele tem o ensino e o propósito perfeitos do Criador para o homem. E isto inclui a restauração do homem em Cristo e sua obra de cruz. Devemos olhar para Cristo lembrando que de Deus vem à salvação para nós e a destruição do pecado.

Ricardo Silva – Ricco
Puerto Suarez, Bolívia, 14 de Junho de 2012

[Carta Maio] Poder, Palavra e Prática em Atos 2

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Escola de Futebol: lanche após o jogo

Carta de Maio de 2012:  Poder, Palavra e Prática em Atos 2

“…louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Atos 2.47

O final do capítulo 2 de Atos é o sonho de consumo de todo missionário: cair na simpatia do povo e novas almas ganhas todo dia. Penso que este capítulo dá o tom do livro de Atos. Poder, Palavra e prática, nesta ordem. Lucas registra em Atos 2 a percepção dos não crentes da época, dos que não participavam ali do início da igreja, mas observavam tudo de fora. O texto diz algo a respeito deles e como percebiam tudo que rolava ali. Os versículos 12 a 13, 37 e 47 são uma divisão natural do texto, pois finaliza cada momento mostrando a visão e percepção dos que não estavam participando (ainda) da igreja ali iniciada.

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” Atos 2.12-13

O poder veio com o Espírito Santo v.4, e trouxe ao povo espanto e admiração, mas ao mesmo tempo ficaram confusos e não deram crédito aos cristãos achando que estavam bêbados. Em seguida veio a Palavra, com um belo sermão de Pedro, e a percepção do povo mudou, agora eles davam credibilidade aos apóstolos, uma esperança surgiu com a mensagem da cruz e de Cristo. Na verdade não só a percepção mudou, mas algo de fato aconteceu em seus corações após a Palavra, “compungiu-se-lhes o coração” v.37, agora eles queriam saber o que fazer. Se antes estavam confuso, agora eles buscavam uma direção.

“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” Atos 2.37

A prática acontece em seguida, a Palavra pregada foi vivida pelos irmãos, formou-se assim a igreja. Oração, desprendimento, compartilhar, unidade, curas e milagres, e tudo isso trouxe um bom testemunho. Agora o povo que observava de fora via algo que os agradava muito, “…contando com a simpatia de todo o povo…” v.47. E ai chegamos no relato de que pessoas se convertiam a Cristo todos os dias e eram acrescentadas a igreja. Mas ocorreu um processo antes disto: poder, Palavra e prática.

Este é um breve resumo de Atos 2, eu vou discorrer mais sobre isso agora em Maio aqui no blog com dois ou três artigos, quero esmiuçar com mais calma cada parte do capítulo, mas aqui já deu para entender a ideia principal.

Poder, Palavra e prática, esta deve ser uma marca na vida do crente, no dia-a-dia da igreja, e não quero que seja diferente no ministério aqui na Bolívia. Eu quero que as pessoas que observam nossa vida e ministério, ainda de fora e de longe, fiquem admiradas, que o poder de Deus cause espanto, que o trabalho traga impacto. Mas não paramos ai, temos que pregar a Palavra, o ensino bíblico que vai apontar para Cristo. Os portenhos (habitantes de Puerto Suarez) da Bolívia devem ir além do espanto e da admiração e o trabalho deve ir além do impacto. E isso só acontece com a pregação da Palavra. Eles devem ouvir a Palavra para que cheguemos ao seus corações e busquem uma direção no Senhor. E claro, de nada adianta um belo sermão se não vivemos isso. A Palavra dá direção, mas a prática traz o bom testemunho, é a confirmação do que foi falado e ensinado, dá vida à mensagem.

Puerto Suarez tem apenas 4,5% de cristãos protestantes, a cidade tem 25 mil habitantes e boa parte é católica, a maioria destes não praticantes. Muitos jovens, muita pobreza e um clima de pouca esperança ou mudança de perspectiva – o pensamento é do tipo: tá ruim, mas tá bom, mudar e melhorar pra quê? Aqui existe um grande problema com a questão familiar, o adultério é quase parte da cultura, as casas têm mães bem jovens, com vários filhos de pais diferentes. Isso resulta em muitas crianças sem uma estrutura familiar adequada, e muitas estão abandonadas pela família ou são exploradas no mercado de trabalho informal. Ai entra a necessidade de um orfanato. Aqui na cidade e na região não existe nenhum orfanato ainda, o mais próximo esta a 300 km e é um orfanato só para meninas em um convento católico que visitamos esta semana. Além das frentes evangelísticas que estamos tocando no presídio, na creche e com a escola de futebol, queremos iniciar um orfanato. Deus preparou uma família de missionários americanos para nos ajudar aqui, eles moram em Corumbá. O Ben Lyon tem me ajudado no presídio e está animado com os planos para o orfanato.

O trabalho no presídio esta indo bem. Cada vez mais avançamos no coração das pessoas ali dentro, tanto policiais quanto presos. O fato de ninguém ir até lá antes, dar atenção aos presidiários com a Palavra e alguma ajuda no alimento, os impacta e assim temos ganhado espaço para pregar e estar com eles aconselhando e ouvindo confissões de pecado. Outra coisa que dá bom testemunho é o trabalho que fazemos tirando as crianças, filhas dos presos que ficam juntos com eles, para levar a creche durante o dia. Todos os presos que temos contato elogiam esta atitude. E esta é a primeira demanda para o orfanato!

A Escola de Futebol é sucesso total. O esporte é uma linguagem universal e o futebol a mais falada, os meninos estão vindo muito animados para os treinos. O nosso último treino chegamos a 52 garotos, nossa capacidade máxima, quando começamos a dois meses tinha apenas 20 meninos. O desafio agora é direcioná-los para Cristo pela Palavra. Temos feito um breve devocional no final de cada treino e vamos começar a ter um estudo de pequenos grupos no salão onde será nossa Base Missionária. Estes meninos vêm pensando só em futebol, nosso trabalho é mostrar a eles que temos algo a mais do que apenas jogar bola. E ainda buscar impacto na família, dentro de casa com os pais. Deus tem nos dado uma estratégia de dar um pequeno devocional impresso para eles fazerem com os pais em casa e ainda pedir que a cada semana cumpram uma tarefa na família, algo como varrer o quintal, arrumar o quarto, lavar louça, ou outra coisa que os pais possam ver e saber que foi uma tarefa do projeto.

Pois bem, precisamos de oração, muita oração. Nossa família esta bem, eu e a Lari muito felizes e unidos, as meninas crescendo com saúde, alegria, e muita bagunça graças a Deus! Mas não podemos ficar sem oração. Missões se faz com os pés dos que estão no campo e com os joelhos do que estão em todo lugar, especialmente com o seu joelho, você que nos apoia nesta jornada missionária. Queremos cair na graça do povo, queremos ver novas almas ganhas todos os dias. Agora estamos aqui e contamos com sua oração e apoio daí!

Ricco

[Carta Abril] A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

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Trabalho no presídio com família de presos. Presidiárias escoltadas até a porta do presídio para deixar suas filhas irem a creche.

Carta de Abril de 2012: A Páscoa e as missões: salvação, juízo e santidade!

Em nossa primeira Páscoa na Bolívia meditei sobre missões e sua ligação com a Páscoa. O chamado de Deus para “todo o mundo e todos os povos” é antigo, com Abraão, Deus fala de benção a todas as famílias da terra (Gn 12.3), e até mesmo na criação Deus ordena ao homem que espalhe Seu domínio por todo o mundo (Gn 1.28). Penso que Páscoa e missões tenham uma ligação que merece destaque.

A Páscoa é uma festa judaica e a palavra vem do termo hebraico “pecach”, que significa “passar ou saltar por cima”. No dia em que a Páscoa foi instituída o anjo da morte passou pelo Egito matando os primogênitos, exceto os das casas que tinham a marca de sangue do cordeiro em seus batentes. Naquela noite todo Israel saiu do Egito e atravessou o Mar Vermelho. Páscoa é festa, é lembrança de libertação, mas também é lembrança de juízo, pois naquela noite no Egito morreram muitas pessoas.

Aqueles que foram liberados do anjo da morte pelo sangue na porta, também comeram o cordeiro. O sangue nos umbrais das casas, que livrou do anjo da morte, era do mesmo cordeiro que a família comeu para celebrar a Páscoa. E este ‘comer o cordeiro’ se transformou em nossa Ceia, no pão e no vinho. Bebemos o suco de uva, lembrando que seu sangue marca nossa vida e que estamos livres do anjo da morte. Comemos o pão simbolizando que somos um com Cristo e assim devemos ser santos. E ai a Páscoa não é só festa e lembrança de juízo, mas como ceia, também é uma chamada a santidade.

Na Páscoa, assim como na Ceia, devemos lembrar o Juízo e a Santidade. O sangue nos livra do anjo da morte e o pão nos faz UM com Ele. Aquela noite no Egito, os judeus deviam ter a consciência de que do mesmo cordeiro vinha o sangue para o umbral da porta e o alimento para dar força na caminhada que os tiraria do Egito, e não uma simples caminhada, mas uma marcha para a nova vida livre da escravidão. Para nós, a Páscoa e o Egito são uma lembrança como sombra (Hb 10.1). Nós temos o verdadeiro Cordeiro que agrada a Deus, que nos livra da escravidão e nos dá vida para vivermos uma nova etapa de santidade em nosso caminhar, é nascer de novo.

Algumas famílias celebram a alegria da salvação enquanto outras choram a morte do pecado. Foi assim no Egito naquela noite, algumas famílias alegres pela libertação da escravidão, enquanto outras em profunda tristeza pelas mortes (pensando ainda nas mortes dos soldados no Mar Vermelho, além da morte dos primogênitos no Egito). O trabalho missionário, seja os que enviam, os que vão ou os que sustentam, é exatamente este: converter a tristeza da morte do pecado na alegria da vida e salvação. O anjo da morte passa todos os dias pelo mundo, alguns ele leva, outros ele poupa. Os que têm a marca do cordeiro são os salvos, os santos em Cristo Jesus.

Aqui na Bolívia pensamos na Páscoa todo dia o tempo todo. Anunciamos salvação, juízo e santidade. Sua oração, sua oferta, seu apoio, seu e-mail, telefonema ou chamada no Skype, seu recado no Facebook, sua preocupação conosco, tudo isto nos dá suporte para o trabalho de anunciar a Palavra de Deus e dizer hoje aos portenhos (habitantes de Puerto Suarez), que ao se converterem a Cristo, deverão comer o pão, tomar o suco de uva e participar da verdadeira Páscoa. Buscando uma vida de santificação hoje e tendo certeza que, no dia sua morte terrena, o anjo da morte passará, mas não o levará. Páscoa e missões tem tudo a ver uma coisa com outra, é por causa do Cordeiro e da Páscoa que estamos aqui na Bolívia.

O Sr. Marcos* está preso por causa de seu envolvimento com o narcotráfico, esta na cadeia de Puerto Suarez onde realizo um culto semanal. Homem de uns cinquenta e poucos anos, aparência jovial, casado e com filhos e netos. De família evangélica, cresceu na igreja e até desejou atuar no ministério, mas se envolveu com o que não devia e agora paga por isso na cadeia. Ele se arrepende e tem voltado aos caminhos do Senhor. Ele participa de todo culto as Terças e uma vez, quando preguei em Romanos 8 dizendo que não há condenação aos que estão em Cristo Jesus, ele me perguntou: _O que significa estar em Cristo? Minha reposta foi em duas etapas. Na primeira, mais simples e direta, expliquei sobre a conversão e nova vida. A segunda etapa esta em andamento, é um discipulado mais de perto, um tempo de estudo e aconselhamento após o culto. Ele já me perguntou sobre seu batismo e está muito animado com sua nova vida, mesmo atrás das grades. Temos um longo caminho a percorrer com o Sr. Marcos e tantos outros portenhos aqui na Bolívia. Anunciar o perdão de Deus em Jesus Cristo, que é a verdadeira Páscoa, é só o primeiro passo!

Obrigado pelo seu apoio e ore por nós!

Ricco

(*) Marcos é o nome fictício de uma pessoa e história verdadeira!