[Carta Maio] Poder, Palavra e Prática em Atos 2

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Escola de Futebol: lanche após o jogo

Carta de Maio de 2012:  Poder, Palavra e Prática em Atos 2

“…louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Atos 2.47

O final do capítulo 2 de Atos é o sonho de consumo de todo missionário: cair na simpatia do povo e novas almas ganhas todo dia. Penso que este capítulo dá o tom do livro de Atos. Poder, Palavra e prática, nesta ordem. Lucas registra em Atos 2 a percepção dos não crentes da época, dos que não participavam ali do início da igreja, mas observavam tudo de fora. O texto diz algo a respeito deles e como percebiam tudo que rolava ali. Os versículos 12 a 13, 37 e 47 são uma divisão natural do texto, pois finaliza cada momento mostrando a visão e percepção dos que não estavam participando (ainda) da igreja ali iniciada.

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” Atos 2.12-13

O poder veio com o Espírito Santo v.4, e trouxe ao povo espanto e admiração, mas ao mesmo tempo ficaram confusos e não deram crédito aos cristãos achando que estavam bêbados. Em seguida veio a Palavra, com um belo sermão de Pedro, e a percepção do povo mudou, agora eles davam credibilidade aos apóstolos, uma esperança surgiu com a mensagem da cruz e de Cristo. Na verdade não só a percepção mudou, mas algo de fato aconteceu em seus corações após a Palavra, “compungiu-se-lhes o coração” v.37, agora eles queriam saber o que fazer. Se antes estavam confuso, agora eles buscavam uma direção.

“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” Atos 2.37

A prática acontece em seguida, a Palavra pregada foi vivida pelos irmãos, formou-se assim a igreja. Oração, desprendimento, compartilhar, unidade, curas e milagres, e tudo isso trouxe um bom testemunho. Agora o povo que observava de fora via algo que os agradava muito, “…contando com a simpatia de todo o povo…” v.47. E ai chegamos no relato de que pessoas se convertiam a Cristo todos os dias e eram acrescentadas a igreja. Mas ocorreu um processo antes disto: poder, Palavra e prática.

Este é um breve resumo de Atos 2, eu vou discorrer mais sobre isso agora em Maio aqui no blog com dois ou três artigos, quero esmiuçar com mais calma cada parte do capítulo, mas aqui já deu para entender a ideia principal.

Poder, Palavra e prática, esta deve ser uma marca na vida do crente, no dia-a-dia da igreja, e não quero que seja diferente no ministério aqui na Bolívia. Eu quero que as pessoas que observam nossa vida e ministério, ainda de fora e de longe, fiquem admiradas, que o poder de Deus cause espanto, que o trabalho traga impacto. Mas não paramos ai, temos que pregar a Palavra, o ensino bíblico que vai apontar para Cristo. Os portenhos (habitantes de Puerto Suarez) da Bolívia devem ir além do espanto e da admiração e o trabalho deve ir além do impacto. E isso só acontece com a pregação da Palavra. Eles devem ouvir a Palavra para que cheguemos ao seus corações e busquem uma direção no Senhor. E claro, de nada adianta um belo sermão se não vivemos isso. A Palavra dá direção, mas a prática traz o bom testemunho, é a confirmação do que foi falado e ensinado, dá vida à mensagem.

Puerto Suarez tem apenas 4,5% de cristãos protestantes, a cidade tem 25 mil habitantes e boa parte é católica, a maioria destes não praticantes. Muitos jovens, muita pobreza e um clima de pouca esperança ou mudança de perspectiva – o pensamento é do tipo: tá ruim, mas tá bom, mudar e melhorar pra quê? Aqui existe um grande problema com a questão familiar, o adultério é quase parte da cultura, as casas têm mães bem jovens, com vários filhos de pais diferentes. Isso resulta em muitas crianças sem uma estrutura familiar adequada, e muitas estão abandonadas pela família ou são exploradas no mercado de trabalho informal. Ai entra a necessidade de um orfanato. Aqui na cidade e na região não existe nenhum orfanato ainda, o mais próximo esta a 300 km e é um orfanato só para meninas em um convento católico que visitamos esta semana. Além das frentes evangelísticas que estamos tocando no presídio, na creche e com a escola de futebol, queremos iniciar um orfanato. Deus preparou uma família de missionários americanos para nos ajudar aqui, eles moram em Corumbá. O Ben Lyon tem me ajudado no presídio e está animado com os planos para o orfanato.

O trabalho no presídio esta indo bem. Cada vez mais avançamos no coração das pessoas ali dentro, tanto policiais quanto presos. O fato de ninguém ir até lá antes, dar atenção aos presidiários com a Palavra e alguma ajuda no alimento, os impacta e assim temos ganhado espaço para pregar e estar com eles aconselhando e ouvindo confissões de pecado. Outra coisa que dá bom testemunho é o trabalho que fazemos tirando as crianças, filhas dos presos que ficam juntos com eles, para levar a creche durante o dia. Todos os presos que temos contato elogiam esta atitude. E esta é a primeira demanda para o orfanato!

A Escola de Futebol é sucesso total. O esporte é uma linguagem universal e o futebol a mais falada, os meninos estão vindo muito animados para os treinos. O nosso último treino chegamos a 52 garotos, nossa capacidade máxima, quando começamos a dois meses tinha apenas 20 meninos. O desafio agora é direcioná-los para Cristo pela Palavra. Temos feito um breve devocional no final de cada treino e vamos começar a ter um estudo de pequenos grupos no salão onde será nossa Base Missionária. Estes meninos vêm pensando só em futebol, nosso trabalho é mostrar a eles que temos algo a mais do que apenas jogar bola. E ainda buscar impacto na família, dentro de casa com os pais. Deus tem nos dado uma estratégia de dar um pequeno devocional impresso para eles fazerem com os pais em casa e ainda pedir que a cada semana cumpram uma tarefa na família, algo como varrer o quintal, arrumar o quarto, lavar louça, ou outra coisa que os pais possam ver e saber que foi uma tarefa do projeto.

Pois bem, precisamos de oração, muita oração. Nossa família esta bem, eu e a Lari muito felizes e unidos, as meninas crescendo com saúde, alegria, e muita bagunça graças a Deus! Mas não podemos ficar sem oração. Missões se faz com os pés dos que estão no campo e com os joelhos do que estão em todo lugar, especialmente com o seu joelho, você que nos apoia nesta jornada missionária. Queremos cair na graça do povo, queremos ver novas almas ganhas todos os dias. Agora estamos aqui e contamos com sua oração e apoio daí!

Ricco

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